O Inter caminha para um processo eleitoral que promete intensa movimentação nos bastidores e um cenário bastante indefinido. Ao final de 2026, Alessandro Barcellos concluirá seis anos à frente do clube, tornando-se o presidente mais longevo da história colorada. Impedido de concorrer novamente, ele abrirá espaço para uma disputa que, neste momento, reúne ao menos cinco nomes em potencial, mas apenas um já confirmado.
A corrida já começou fora dos holofotes, com articulações entre lideranças e busca por alianças. O pleito ocorrerá em dois turnos: o primeiro restrito ao Conselho Deliberativo, formado por mais de 340 conselheiros aptos a votar, e o segundo aberto aos associados adimplentes até o final do ano passado. Nesta etapa decisiva, conhecida como “no pátio”, a participação costuma girar em torno de um terço do universo de 80 mil a 90 mil eleitores.
O quadro atual é marcado por forte fragmentação. Mais de uma dezena de correntes políticas disputam espaço e tentam consolidar apoio suficiente para avançar à fase final. Nem mesmo a situação apresenta unidade. Os quatro movimentos que integram a gestão de Alessandro Barcellos — Convergência, Inove, Academia e Povo do Clube — já demonstraram muito mais proximidade. Agora, estão divididas, colocando em risco a união que durou seis anos.
Dentro desse grupo, surgem dois possíveis candidatos. Victor Grunberg, ligado ao Convergência, afirma publicamente que não pretende concorrer, embora interlocutores trabalhem para reverter sua posição. Já Dannie Dubin, do Inove, colocou-se à disposição desde o ano passado em reuniões do grupo e mantém seu nome no radar.
O Povo do Clube, apesar de integrar a administração desde o início, enfrenta um processo de divisão interna. Com pelo menos três correntes distintas, a tendência é que priorize a manutenção de espaço no Conselho Deliberativo, lançando chapa própria, mas sem protagonismo na disputa majoritária.
Entre os nomes já colocados, José Amarante é o único que assume abertamente a condição de candidato. Representante do grupo Sou Inter, que conta com cerca de 30 conselheiros, ele busca ampliar sua base de apoio para alcançar o segundo turno. Há especulações sobre uma possível aliança com o movimento Sangue Colorado, liderado por Leonardo Aquino, além de negociações com outras correntes menores. Por outro lado, não está descartada uma candidatura própria de Aquino, o que levaria a uma disputa direta com Amarante pela chegada ao segundo turno.
Outro polo relevante é o Movimento Inter Grande, vinculado aos ex-presidentes Fernando Carvalho e Giovanni Luigi. Atualmente com a maior bancada no Conselho, o grupo tende a chegar com força ao pátio. A expectativa é de que Roberto Melo seja novamente o escolhido para liderar a chapa, repetindo a candidatura do mais recente pleito, mais uma vez com o provável apoio de movimentos como Mais Inter e Avante.
Com múltiplos atores e alianças em construção, o processo eleitoral do Inter se desenha como um dos mais abertos dos últimos anos. A definição dos candidatos e a formação das chapas devem intensificar as negociações nos próximos meses, especialmente à medida que o calendário avançar para o período decisivo entre novembro e dezembro. A novidade é que os resultados em campo não devem ter um peso grande, principalmente porque a situação não aparece com um candidato viável. Pelo menos, por enquanto.