O Inter até aumenta seus investimentos no futebol, mas a resposta dentro de campo insiste em não acompanhar. Em um ano classificado como “difícil” e “diferente” pelo técnico Paulo Pezzolano em suas entrevistas, os números mostram que o clube mantém, e até amplia, os aportes, ainda que os resultados indiquem um cenário bem menos competitivo.
A sinalização interna de cautela não é recente. Em fevereiro, o executivo Fabinho Soldado projetou apenas o 10º lugar no Brasileirão em apresentação aos conselheiros. Mais recentemente, após a vitória sobre o Fluminense, domingo, por 2 a 0, no Beira-Rio, Abel Braga reforçou que o clube terá dificuldades para buscar reforços na próxima janela. O discurso, portanto, é de contenção.
Dados do Portal da Transparência indicam que o custo mensal do futebol segue em patamar elevado. Depois de atingir R$ 21,3 milhões em 2024, o valor pouco mudou em 2025, ficando em R$ 21,1 milhões por mês com salários, direitos de imagem e encargos de jogadores e comissões técnicas. Quando se adicionam despesas com contratações, empréstimos de atletas e logística, o investimento sobe de R$ 404 milhões em 2024 para R$ 437 milhões no ano passado.
O contraste aparece justamente onde mais importa. Apesar do volume financeiro, o desempenho esportivo segue distante de qualquer protagonismo. Na última temporada, o Inter lutou até a rodada final para evitar o rebaixamento, escapando só com uma vitória em casa combinada com outros resultados.
Em 2026, o panorama inspira cuidados. O time chegou a figurar no Z-4 recentemente e deixou a zona após bater o Fluminense. Ainda assim, a vantagem é mínima: apenas dois pontos acima dos últimos colocados, indicando que a luta pela sobrevivência vai ser longa.
Após a partida, Abel Braga tentou afastar leituras mais pessimistas. “A nossa equipe não é a pior, nem nossos jogadores são os piores. Nós estamos procurando trabalhar, dentro desse processo, para que seja uma equipe positiva, de muitas vitórias, para dar confiança ao torcedor para que venha a todos os jogos em casa”, afirmou.
Ao abordar a próxima janela, o dirigente manteve o tom pragmático. “Nós vamos tentar algumas coisas. Temos trabalhado muito, o pessoal do scouting, o Fabinho Soldado, junto com o Paulo (Pezzolano) e comigo. A gente tem visto atletas que vamos ver se conseguem entrar dentro das nossas possibilidades”, completou Abel.
Entre números robustos e desempenho modesto, o Inter constrói um cenário que beira o contraditório: investe mais, mas segue sem conseguir competir de fato. Trata-se, entre outras coisas, de mais uma evidência de que o clube caiu de patamar e que seus concorrentes ganham mais porque, entre outros méritos, investem mais.