O Conselho Deliberativo do Inter aprovou, sem ressalvas, na noite dessa segunda-feira, as contas do clube referentes ao exercício de 2025. Apesar do resultado favorável à gestão do presidente Alessandro Barcellos, o dirigente tratou de afastar qualquer clima de tranquilidade financeira nos bastidores colorados. Após a reunião, o dirigente reconheceu que o cenário segue preocupante e admitiu que o próximo mandatário encontrará um clube em situação delicada em janeiro de 2026. A eleição para substituí-lo ocorre no final deste ano.
“O próximo presidente do Inter vai encontrar um clube em dificuldades. Não vamos amenizar a situação. Mas dentro de um cenário nacional difícil para todo mundo, estamos melhor hoje do que estivemos no passado”, afirmou.
Segundo ele, o processo de recuperação financeira está longe de concluído, apesar dos últimos esforços. “2025 foi um ano para recuperar um pouco o prejuízo do ano anterior, muito por causa das enchentes. Conseguimos ter um superávit e uma redução da dívida, mas fizemos isso reduzindo a folha do futebol, um custo perigoso e que nos causou uma situação difícil no Brasileirão do ano passado”, declarou.
Na votação, 111 participantes aprovaram integralmente as contas, enquanto 72 optaram pela aprovação com ressalvas e outros 64 votaram pela rejeição. Entre os números apresentados pela direção, os principais destaques foram a receita bruta de R$ 776 milhões, o superávit de R$ 8,9 milhões e a redução do endividamento nominal, que caiu de R$ 977 milhões no fim de 2024 para R$ 940 milhões em dezembro de 2025.
“Temos um longo caminho a seguir. Não vamos abrir mão de seguir buscando soluções até o final do ano para chegar em dezembro com um caminho menos complicado para a próxima gestão. Tirando Flamengo e Palmeiras, todos os outros clubes enfrentam muitas dificuldades e têm muita coisa a fazer”, disse.
Além do aspecto financeiro, a aprovação representou uma vitória política para a atual gestão. O CD deliberou a favor do tratamento contábil adotado pelo clube na operação envolvendo a recompra dos direitos de televisão da Futebol Forte União. O lançamento de R$ 109 milhões havia sido alvo de questionamentos nas últimas semanas e motivou o Conselho Fiscal a recomendar a aprovação das contas com ressalvas. A direção, porém, sustentou a regularidade do procedimento com base em parecer do Conselho Federal de Contabilidade, argumento que acabou convencendo a maioria dos conselheiros.