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Oposição não deve embarcar na atual gestão do Inter

Presidente Alessandro Barcellos faz movimento para angariar apoio em seu último ano de gestão, mas atores polítivos enxergam tentativa com ressalvas

Presidente Alessandro Barcellos fará tentativa de atrair outros movimentos políticos para a sua gestão
Presidente Alessandro Barcellos fará tentativa de atrair outros movimentos políticos para a sua gestão Foto : Ricardo Duarte / Inter / CP

Alessandro Barcellos, trabalhará, a partir da permanência do clube na Série A, para reorganizar sua gestão e buscar apoio político com vistas ao seu último ano de mandato. A ideia, conforme admitido pelo próprio dirigente, é construir uma ampla coalizão, inclusive com antigos adversários, para atravessar 2026 com maior estabilidade e preparar um nome de consenso para a sucessão presidencial do Inter, prevista para dezembro daquele ano. Mas, nos bastidores, a avaliação predominante é de que a empreitada tem poucas chances de prosperar.

A percepção entre a maioria dos atores políticos colorados é de que não há benefícios em ingressar na gestão neste momento. Muitos conselheiros e lideranças entendem que Barcellos perdeu credibilidade diante da torcida e também dentro do próprio Conselho Deliberativo, após cinco anos marcados por resultados considerados insatisfatórios dentro e fora do campo.

O argumento mais ouvido nos corredores do Beira-Rio é que o presidente busca união apenas agora, ao ver sua base política ruir, movimento que se intensificou com o provável desembarque do Povo do Clube, um dos alicerces de sua sustentação interna. Depois do jogo contra o Bragantino, que confirmou a permanência na elite, Barcellos admitiu publicamente que está “pedindo ajuda”.

No cenário atual, o presidente não tem maioria no Conselho Deliberativo. E, embora a permanência na Série A tenha reduzido a pressão imediata por sua renúncia, o clima ainda não é de plena estabilidade. A possibilidade de afastamento de Barcellos, que ganhava força nos bastidores antes da partida decisiva, segue viva, amparada por brechas do estatuto que permitem uma votação entre os associados para referendar ou não sua continuidade no cargo. O tema, segundo alguns conselheiros, não está encerrado.

Na próxima segunda-feira, o Conselho Deliberativo voltará a se reunir, e a situação política do clube deve ser um dos assuntos centrais. Mesmo com o risco de queda superado, o Inter entra em um período de forte tensão institucional. Barcellos sustenta que pretende transformar 2026 no “primeiro ano de uma gestão de quatro anos”, desenhando desde já um projeto que ultrapasse o fim de seu mandato. Mas, entre os movimentos políticos, há franca descrença de que conseguirá reconstruir as pontes neste momento.

Hoje à tarde, Barcellos reúne os ex-presidentes do clube no Beira-Rio em um primeiro movimento pela união em 2026. Depois, chamará representantes dos principais grupos políticos para ouvi-los e oferecer espaço na diretoria. Para isso, já deixou claro que fará uma reforma no primeiro escalão da gestão, abrindo espaço para possíveis novas adesões.

Em um pronunciamento após a vitória sobre o Bragantino, que livrou o Inter da queda, Barcellos, em tom de autocrítica, reconheceu os erros cometidos ao longo da temporada e a necessidade de reestruturação. “É o momento de corrigir erros. Assumimos a responsabilidade pelo ano muito ruim em termos de resultados. Sabemos o tamanho do desafio do ano que vem. E agora vamos precisar de todo mundo. Vamos precisar de paz, de união. Temos que trazer para o clube todos os colorados que podem ajudar”, afirmou. “Temos que trazer para dentro da gestão as pessoas que querem contribuir”, seguiu.

Mesmo com o alívio da permanência, Barcellos admitiu que a temporada deixou marcas profundas. “(Ficar na Série A) É um alívio, mas ficaram cicatrizes profundas. Temos que ter capacidade de saber os limites e buscar ajuda. Temos que superar as divergências”, afirmou Barcellos. Porém, neste momento, o seu movimento tem poucas chances de sucesso.

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