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Pezzolano contraria a si mesmo ao retrancar Inter

Técnico surpreendeu com escalação defensiva diante do São Paulo, no Beira-Rio, e nos dois jogos anteriores

Paulo Pezzolano abriu mão de parte de suas convicções para tentar fazer o Inter conquistar pontos
Paulo Pezzolano abriu mão de parte de suas convicções para tentar fazer o Inter conquistar pontos Foto : Fabiano do Amaral

Quando chegou a Porto Alegre, em janeiro, Paulo Pezzolano tinha uma ideia clara do que queria para o Inter: um time protagonista, ofensivo, que tivesse a bola e impusesse o ritmo do jogo. Nada de retranca, linhas baixas ou excesso de volantes. Pelo menos, esse era o plano. Em três meses, a convicção mudou. O time colorado, agora, joga retrancado, mesmo que o esquema não se encaixe nas ideias originais do uruguaio e até as contrarie. Mas há motivos que explicam a mudança.

Algumas semanas — e seis rodadas sem vitória — depois, a realidade tratou de apresentar outro roteiro. E o treinador precisou se adaptar, ainda que isso significasse fazer exatamente o oposto do que imaginava. "Fizemos mudanças porque precisamos dos pontos”, afirmou ele, após o empate por 1 a 1 com o São Paulo, na noite de quarta-feira, no Beira-Rio.

Agora, o Inter, que não perde há três jogos no Brasileirão tem uma característica bem definida: marcação intensa e pouca ousadia. Se for preciso abrir mão de talento para ganhar em combatividade, que seja. A prioridade é, primeiro, não sofrer gols. Depois, se puder, atacar.

A mudança fica evidente no desenho tático. Saiu de cena o 4-2-3-1 mais equilibrado e ofensivo dos primeiros jogos e entrou o atual 5-3-2, com linha de cinco defensores e apenas um centroavante. Foi assim, por exemplo, no empate com o São Paulo, mas também nas vitórias sobre o Santos, fora de casa, e a Chapecoense, no Beira-Rio.

O curioso é que o modelo inicial até produzia. O time criava chances e pressionava os adversários, mas pecava onde mais importa: no placar. Foram apenas três gols marcados nas seis primeiras rodadas, com dois pontos somados. Diante do cenário, Pezzolano decidiu recuar tanto no campo quanto nas convicções. E não fez isso sozinho. O treinador buscou respaldo na experiência de quem conhece bem o clube e o futebol brasileiro, especialmente em conversas com o diretor técnico Abel Braga.

“É um ano que vai ser duro, temos que assumir. Se acharmos que temos o Inter de quando brigava por títulos, de quando saía campeão do mundo ou da Libertadores, vamos sofrer muito mais. É um momento de transição”, reconheceu.

A próxima missão será em São Paulo, contra o Corinthians, no domingo. E não há mistério sobre o que esperar. Independentemente da escalação, o Inter deve repetir a postura cautelosa. Afinal, em tempos de reconstrução, somar pontos virou prioridade, ainda que o preço seja um futebol menos ousado. Ou seja, entre o sonho e a sobrevivência, o Inter escolheu, ao menos por enquanto, o caminho mais seguro.

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