Paulo Pezzolano terá de fazer contas que vão muito além da escalação do Inter nos próximos dias. Entre o Gre-Nal de quinta-feira, na Arena, que vale uma vaga na semifinal da Copa do Brasil, e o confronto com o Santos, domingo, no Beira-Rio, pelo Brasileirão, o treinador precisará administrar o desgaste de um elenco que não esbanja opções. Pelo contrário.
A ideia é tratar os dois compromissos como fundamentais, mas sem ignorar que serão disputados em um intervalo curto de tempo e contra adversários com características diferentes. O problema é encontrar o equilíbrio para ter times competitivos nas duas partidas. O próprio treinador afirmou que o time colorado tem “obrigação” de vencer ambos os jogos, que estão interligados, ao menos no aspecto anímico. Afinal, superar o rival sempre fornece combustível extra de confiança para um time que quase não venceu nos últimos meses.
No treino da manhã de ontem, no CT Parque Gigante, alguns jogadores importantes ficaram fora da atividade, a primeira da semana, entre eles Alan Patrick e Bruno Henrique. Ele fizeram apenas trabalho regenerativo. Em contrapartida, atletas que estiveram em campo por menos tempo na derrota por 3 a 2 para o Bahia, no domingo, participaram normalmente do trabalho com bola. Foram os casos de Villagra e Bernabei.
Pezzolano vai avaliar a condição física do grupo antes de definir a estratégia. Não basta considerar o desgaste acumulado até o Gre-Nal. Será preciso projetar também o efeito de uma partida intensa na Arena sobre o time que enfrentará o Santos apenas três dias depois.
A Copa do Brasil oferece um incentivo considerável. Além da classificação, avançar para a semifinal pode representar cerca de R$ 9 milhões aos cofres colorados. O dinheiro, em um clube que enfrenta dificuldades financeiras e tem direitos de imagem do grupo em atraso, teria um destino importante: a conta dos próprios jogadores.
Só que o Brasileirão não dá desconto. Depois da rodada do último fim de semana, o Inter entrou na zona de rebaixamento e agora terá pela frente, no Beira-Rio, um adversário que também luta contra as últimas posições. Os três pontos em jogo contra o Santos, portanto, têm peso enorme na tentativa de afastar o time da parte mais perigosa da tabela.
Por isso, não está definido se Pezzolano vai preservar jogadores no Gre-Nal, no confronto com o Santos ou em nenhuma das duas partidas. A dificuldade adicional é conhecida: as alternativas disponíveis não são muitas e, entre elas, poucas permitem ao treinador trocar peças sem reduzir significativamente a competitividade da equipe.
Pezzolano terá, portanto, que administrar dois jogos que o Inter precisa tratar como prioridade. O Gre-Nal pode colocar o clube na semifinal e aliviar o caixa. O Santos, por outro lado, pode ajudar a aliviar a situação na tabela. Entre uma necessidade e outra, caberá ao treinador descobrir como fazer um elenco curto render em dose dupla.