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Inter corre para amenizar dívida antes do Gre-Nal

Direção colorada busca angariar recursos para pagar parte do que deve aos jogadores e manter a mobilização para clássico da Arena

Inter perdeu para o Bahia no domingo e entrou na zona de rebaixamento
Inter perdeu para o Bahia no domingo e entrou na zona de rebaixamento Foto : Rafael Rodrigues/EC Bahia / CP

O risco é real, inegável e cada vez mais próximo. Se o Inter não reagir dentro de campo, as possibilidades de terminar o Campeonato Brasileiro na Série B serão enormes, como mostra a tabela de classificação. Os problemas colorados, porém, não estão restritos às quatro linhas. Nos gabinetes, a direção também corre contra o tempo para tentar amenizar uma situação financeira que produz reflexos no futebol, apesar das negativas dos dirigentes.

Esse foi um dos principais assuntos da reunião do Conselho de Gestão, realizada na tarde desta segunda-feira, de forma online, e liderada pelo presidente Alessandro Barcellos. A prioridade é encontrar recursos para pagar, até quinta-feira, pelo menos parte dos valores em aberto com os jogadores. A data não foi escolhida ao acaso: é justamente quando o Inter volta a campo para enfrentar o Grêmio, na Arena, pela partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil.

A classificação para a semifinal representa uma injeção de aproximadamente R$ 9 milhões nos cofres do clube. Se avançar, o Inter pretende utilizar parte desse dinheiro para colocar em dia os compromissos com o elenco. Antes disso, porém, precisa encontrar uma maneira de atravessar os próximos dias, antecipando pelo menos uma parte dos valores.

Depois da derrota por 3 a 2 para o Bahia, no domingo, em Salvador, o técnico Paulo Pezzolano e o executivo Fabinho Soldado minimizaram a influência dos atrasos no cotidiano do CT Parque Gigante. A realidade, contudo, já mostrou que o assunto não é irrelevante. Na semana passada, por solicitação dos próprios atletas, a concentração para o Gre-Nal no Beira-Rio foi cancelada. Em vez de passar a noite no hotel, como tradicionalmente ocorre antes de partidas importantes, os jogadores se apresentaram horas antes do clássico. O movimento não dever ser repetido nesta semana.

A direção tenta evitar que a questão financeira ganhe ainda mais espaço justamente no momento em que o time precisa de concentração máxima. Fabinho garante que, apesar das dificuldades, o comprometimento do grupo permanece. “Nunca tivemos problema em relação ao trabalho. Os jogadores sempre trabalharam e se comportaram da forma que um jogador do Inter precisa. Aqui ninguém vai abandonar ou jogar a toalha. Vamos lutar e conquistar os pontos que precisamos”, afirmou. Pezzolano, por sua vez, disse ter se sentido "identificado" com a equipe, que, segundo ele, "lutou até o fim", apesar do resultado negativo em Salvador.

O cenário, portanto, apresenta duas frentes de batalha. Enquanto Pezzolano tenta encontrar soluções para fazer o Inter voltar a vencer — primeiro diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, e depois contra o Santos, no domingo, no Beira-Rio, em confronto direto na parte de baixo da tabela do Brasileirão —, a direção trabalha para levantar dinheiro e reduzir as pendências com o elenco.

Uma vitória sobre o Grêmio pode significar a classificação e um pouco de alívio financeiro. Uma derrota, além da eliminação, deixaria o clube ainda mais pressionado. Enfim, há um entendimento que enfrentar um problema ajuda na solução do outro. E, dinheiro no bolso dos jogadores pode não transformar uma equipe da noite para o dia, mas certamente também não atrapalha.

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