A pressão segue intensa no Beira-Rio. O empate por 2 a 2 com o Bahia, no último sábado, manteve o Inter em situação delicada no Campeonato Brasileiro, muito próximo da zona de rebaixamento. Ainda assim, a direção colorada optou por manter Ramón Díaz e seu filho, Emiliano, no comando técnico da equipe. A decisão reflete um misto de falta de alternativas viáveis no mercado e esperança de evolução durante o período de dez dias sem jogos, antes do duelo decisivo contra o Ceará, no dia 20, em Fortaleza.
Em dez partidas à frente do Inter, a dupla argentina soma apenas duas vitórias, quatro empates e quatro derrotas, um aproveitamento de 33%, inferior ao registrado por Roger Machado, demitido em setembro. Mais do que os números, pesa contra Ramón e Emiliano a ausência de um modelo de jogo consistente, que ofereça segurança à torcida e resultados concretos em campo.
A situação do técnico também se agravou após uma declaração machista durante entrevista coletiva, quando afirmou que “futebol não é para meninas”. A frase repercutiu mal entre torcedores e movimentos sociais, ampliando o desgaste do treinador. Mas mesmo sob essa combinação de mau desempenho e crise de imagem, Ramón Díaz ganhou sobrevida. A atuação diante do Bahia, embora frustrante no placar, deixou uma impressão ligeiramente mais positiva à direção. Com um esquema novo, com só dois zagueiros e três atacantes, o Inter apresentou um futebol mais competitivo em dois terços da partida, o que foi suficiente para evitar a demissão imediata do treinador.
“Acreditamos na evolução. Essa comissão técnica se mostra envolvida com o clube e com os atletas. Não temos nenhuma pretensão de fazer uma mudança neste momento”, afirmou o vice de futebol, José Olavo Bisol, em entrevista após o jogo.
O discurso da direção é de confiança e continuidade, ainda que o cenário exija resultados urgentes. O Inter soma cinco partidas sem vencer e vê a zona de rebaixamento próxima. A aposta é de que o período sem jogos possa servir para ajustes táticos e recuperação emocional de um elenco que, há meses, não dá a resposta necessária.
Após o confronto com o Bahia, o grupo recebeu dois dias de folga e retorna aos treinos nesta terça-feira, no CT Parque Gigante. A comissão técnica pretende intensificar os trabalhos físicos e táticos, aproveitando o intervalo da Data Fifa para corrigir falhas defensivas e buscar maior efetividade no ataque — setor que tem sido um dos principais problemas do time.
A permanência de Ramón Díaz é, portanto, uma decisão de risco, sustentada mais pela esperança de reação do que pelos resultados. Com apenas cinco rodadas pela frente, o Inter tenta equilibrar o discurso de confiança com a realidade de um time em crise. Resta agora transformar a promessa de evolução em pontos. Afinal, só isso será capaz de garantir, de fato, a permanência dos colorados na primeira divisão.