A transformação do Inter em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) faz parte do plano de recuperação elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, mas não deve ocorrer de forma imediata. O relatório, revelado pelo Correio do Povo nesta segunda-feira, sustenta que o primeiro passo para viabilizar o modelo é o saneamento das finanças do clube, tendo a recuperação judicial como o caminho mais adequado para reorganizar as contas.
Segundo o estudo, a conversão para SAF pode integrar a segunda etapa do plano de reestruturação, prevista para começar em 2028. Ainda assim, a consultoria avalia que o cenário mais favorável seria iniciar uma negociação apenas a partir de 2030, quando a situação financeira do Inter estaria mais equilibrada e, consequentemente, o clube teria maior poder de negociação com potenciais investidores.
O próprio relatório também explica quais características tornam um clube atrativo para quem pretende investir em uma SAF. De acordo com a Alvarez & Marsal, o interesse do mercado depende de uma combinação de estabilidade financeira, governança e potencial de valorização.
"A atratividade do investimento surge quando o clube combina clareza e previsibilidade financeira, controle efetivo da operação e potencial de retorno sustentado por ativos esportivos, financeiros e de marca, com riscos claramente mapeados e precificados", destaca o documento.
A consultoria identifica ainda uma série de ativos capazes de elevar o valor de uma futura SAF. Entre eles estão o patrimônio imobiliário, como estádio e centro de treinamento, o tamanho e o engajamento da torcida, a qualidade da infraestrutura esportiva — incluindo departamentos médico e de preparação física para o elenco profissional e as categorias de base —, além do histórico de formação e negociação de atletas.
Em contrapartida, o estudo aponta fatores que costumam afastar investidores ou reduzir o valor de mercado de um clube. Entre os principais estão o elevado volume de passivos e riscos financeiros, a falta de transparência na disponibilização de informações e modelos societários que limitem o poder de decisão do investidor. Segundo a Alvarez & Marsal, a participação minoritária em uma SAF, sem controle efetivo da gestão, não costuma despertar interesse do mercado.
Na avaliação da consultoria, somente após reorganizar sua estrutura financeira e reduzir os riscos do negócio o Inter terá condições de negociar a transformação em SAF em condições mais favoráveis, aumentando seu valor de mercado e sua capacidade de atrair investidores.
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