A trajetória do Inter no Brasileirão de 2025 será lembrada por erros, turbulências e um risco real de rebaixamento. Mas também por personagens improváveis como Sergio Rochet. O goleiro uruguaio, que atuou nos últimos quatro jogos sem estar recuperado totalmente de uma lesão na mão esquerda, tornou-se, pelas circunstâncias, um herói da permanência colorada. Nesta segunda-feira, no CT Parque Gigante, ele raspou a cabeça em cumprimento a uma promessa feita pela permanência do clube na Série A.
Rochet jogou no sacrifício e com limitações, acumulando números ruins: uma vitória, duas derrotas e um empate, com 12 gols sofridos nos quatro últimos jogos no Brasileirão. Mas o retrospecto não conta toda a história. Ele esteve em campo porque o Inter ficou sem alternativas. Ivan Quaresma e Anthoni, os outros dois goleiros do elenco, sofreram lesões consecutivas, deixando o clube em um beco sem saída na reta final da temporada.
O próprio Rochet explicou, na zona mista do Beira-Rio, após a vitória por 3 a 1 sobre o Bragantino, como foi convocado para voltar prematuramente ao time. “O que aconteceu com os nossos goleiros foi uma coisa incrível. Então, o Ramón e o Emiliano falaram comigo e perguntaram se eu já tinha como jogar. A gente conversou e eu disse que, se precisasse, poderia jogar. Foi isso que aconteceu. Ajudei do jeito que foi possível, mesmo tendo algumas falhas”, relatou.
Mesmo longe do ideal, o uruguaio não hesitou em entrar em campo. A disposição, segundo ele, veio da urgência do momento e do compromisso com o grupo. “Se precisar, eu vou tentar ajudar com só uma mão ou só um pé. Eu queria era ajudar o time a sair dessa situação ruim que estava. Não queria atrapalhar. Também queria estar 100%, mas dei o máximo”, disse.
Apesar de estar em um lista de jogadores negociáveis, o goleiro já projeta a próxima temporada no Inter. “A gente sofreu demais neste Brasileirão, chegando ao ponto onde não dependíamos só dos nossos resultados. Hoje, fizemos nosso trabalho contra um rival muito difícil e conseguimos ficar na Série A. Essa conquista não é motivo de orgulho, mas, do jeito que aconteceu, a gente fica feliz. Vamos tentar tirar as lições do que aconteceu para não repetir no próximo ano.”
A postura do goleiro não passou despercebida internamente. “O Rochet jogou 3 ou 4 jogos sem a menor condição de estar em campo. Isso é bravura. É dar a cara no momento difícil”, afirmou Abel Braga. Por linhas tortas, Rochet acabou se tornando peça fundamental para que o Inter evitasse a queda. Jogou porque não havia quem jogasse. E, mesmo falhando, acabou sendo fundamental.
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