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Sem candidato da situação, disputa pela presidência do Inter ganha contornos de eleição em três frentes

Tendência é que movimentos de situação fragmentem apoio, com Leonardo Aquino ganhando mais força na votação dentro do Conselho Deliberativo

Inter viverá eleição acirrada no final do ano
Inter viverá eleição acirrada no final do ano Foto : MAURO SCHAEFER

Mesmo ainda distante da oficialização das candidaturas, a sucessão presidencial do Inter começa a ganhar contornos mais definidos. A decisão, praticamente consolidada, dos quatro movimentos que dão sustentação à gestão do presidente Alessandro Barcellos de não lançar um candidato próprio modificou o cenário eleitoral e, neste momento, deixa três nomes na disputa: Roberto Melo, do Inter Grande, Leonardo Aquino, do Sangue Colorado, e José Alfredo Amarante, do Sou Inter.

A eleição colorada será realizada em dois turnos. O primeiro ocorre em novembro, no Conselho Deliberativo, responsável por definir os dois candidatos que avançarão à votação final. A segunda etapa será decidida diretamente pelos associados. Atualmente, o Conselho conta com 338 conselheiros.

Embora ainda forme o maior bloco político do clube, a base governista optou por não apresentar um sucessor de Barcellos. Academia Colorada, Convergência, Inove e Povo do Clube somam mais de 120 conselheiros, mas a campanha irregular da equipe e os resultados recentes praticamente inviabilizaram a construção de uma candidatura de continuidade.

A tendência é que esses votos sejam pulverizados entre os concorrentes, com uma parcela significativamente maior migrando para Leonardo Aquino. Caso esse movimento se confirme, o candidato do Sangue Colorado amplia consideravelmente suas chances de garantir uma das duas vagas no segundo turno.

Roberto Melo, por sua vez, parte de uma posição considerada mais confortável. Com o respaldo de aproximadamente oito movimentos políticos, ele teria, em tese, uma base próxima de 120 votos no Conselho Deliberativo, número que o colocaria em posição favorável para avançar à etapa decisiva. Melo também reúne o apoio de lideranças influentes do clube, entre elas Fernando Carvalho, que ainda busca, com escassas esperanças, a construção de uma candidatura de consenso capaz de enfrentar a grave crise financeira vivida pelo Inter.

Correndo por fora, mas em trajetória de crescimento, aparece José Alfredo Amarante. O representante do Sou Inter trabalha para atrair conselheiros dissidentes de diferentes correntes políticas, inclusive do Povo do Clube. Embora hoje tenha uma base menor que a de Melo e Aquino, segue competitivo em uma disputa que tende a ser bastante equilibrada.

Independentemente de quem vencer a eleição, o próximo presidente encontrará um cenário desafiador. Além da necessidade de reorganizar um elenco que tem recebido críticas pelo desempenho técnico, o futuro mandatário terá de administrar uma dívida próxima de R$ 1 bilhão.

O quadro financeiro deverá exigir decisões estruturais já nos primeiros meses da próxima gestão. Entre elas está a possibilidade de um pedido de recuperação judicial, alternativa apontada como a mais adequada no relatório elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e revelado pelo Correio do Povo em julho, como parte do processo de reestruturação econômica do clube.

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