O Inter não trata como prioridade imediata a definição do vice-presidente de futebol. Embora o cargo precise ser preenchido por exigência estatutária, a avaliação interna é de que, neste momento, o executivo Fabinho Soldado consegue suprir as funções da área. Com um perfil distinto de seus antecessores, ele concentra decisões e tem papel cada vez mais relevante na rotina do departamento.
Fabinho, inclusive, não esconde sua preferência por um ambiente de trabalho afastado da presença constante de dirigentes políticos. Em passagens anteriores, especialmente no Corinthians, já teve conflitos relacionados a esse tema. No Inter, esse cenário se reflete na menor circulação de dirigentes no dia a dia do futebol. O próprio presidente Alessandro Barcellos, que em outros anos era presença frequente no CT, passou a adotar postura mais distante neste início de temporada. Victor Grunberg, vice-presidente eleito, tem se aproximado do futebol, mesmo sem ocupar oficialmente a vice-presidência da área.
Internamente, a mudança de perfil é sentida de forma clara. Comparado a André Mazzuco, demitido após a campanha decepcionante no Brasileirão do ano passado, Fabinho é visto como mais rígido. Enquanto o antecessor mantinha uma relação mais cordial com atletas e funcionários, o atual dirigente adota postura mais firme. “Ele era amigo de todo mundo. O Fabinho é educado, mas não faz cara de amigo para todos. Está balançando a estrutura do CT”, relata uma fonte ligada à direção.
A postura de cobrança também se manifesta fora dos bastidores. Antes da partida contra o Monsoon, no estádio Passo D’Areia, foi Fabinho quem se posicionou de forma mais enfática diante da decisão do adversário de não molhar o gramado sintético, o que seria uma praxe. Mesmo sem sucesso no pedido, reclamou com a arbitragem e cobrou explicações dos dirigentes do clube mandante.
Outra mudança perceptível está na comunicação. Diferentemente de temporadas anteriores, o executivo tem aparecido sozinho nas apresentações dos reforços. Ao tratar do momento financeiro, Fabinho admite publicamente as limitações, mas reforça a cobrança por desempenho. “Não dá para prometer nomes nem falar em expectativas. Não tem como mudar 100% ou 80% do elenco. Não é assim que se faz futebol. Mas esses jogadores vão ter que se recuperar”, afirmou recentemente.
Além da postura mais exigente, o dirigente também propõe iniciativas simbólicas. Uma delas é a imersão dos novos contratados na história do clube, com visitas ao museu colorado. Nesta sexta-feira, estava programada a primeira atividade do tipo, envolvendo Paulinho Paula, Rodrigo Villagra e Félix Torres, em uma tentativa de aproximar os reforços da identidade e da tradição do Inter.
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