Na tarde desta quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) reviu a punição do Inter pelo suposto caso de racismo na partida contra o Sport pelo Brasileirão Feminino. Antes, o clube colorado havia perdido o mando de campo e teria que jogar três partidas com os portões fechados. A nova decisão mantém a ausência de torcida, mas volta atrás e autoriza as partidas em Porto Alegre.
A revisão aconteceu principalmente devido às novas evidências apuradas na investigação da Polícia Civil. Conforme a delegada Tatiana Bastos, que conduz o caso através da Delegacia de Combate a Intolerância (DPCI), o tom da investigação mudou quando o Inter disponibilizou um vídeo no qual é possível ver a jovem da base colorada arremessando um objeto parecido com um copo plástico.
A atleta de 18 anos teve o contrato rescindido pelo Inter logo após a denúncia. Porém, de acordo com a defesa, ela não percebeu que dentro do copo havia uma casca de banana. “O que a gente percebe nas imagens é um relato que é compatível com outras testemunhas presenciais que narram que ela teria jogado um copo e que dentro desse copo teria o lanche dela, que era uma casca de banana”, afirma Tatiana.
Jogadora deverá ser indiciada por causar tumulto
Assim, após a análise das imagens, a delegada indica que provavelmente a jogadora não será indiciada pelo crime de racismo. “Sendo assim, até agora, o que a gente tem nos autos não nos traz elementos suficientes para o indiciamento por racismo. Porque o racismo exige, inclusive, o dolo específico, que é a vontade de discriminar. Então, eu tenho que saber que realmente ela quis jogar uma casca de banana e que, com isso, ela quis discriminar as pessoas do time adversário, e a gente não consegue comprovar nem uma coisa, nem outra”, completa a profissional.
Tatiana completa explicando que é mais provável ela ser indiciada por outra conduta ilícita da Lei Geral do Esporte: o de causar tumulto por conta do objeto arremessado. Até agora, quase todas as testemunhas do caso já foram ouvidas. Na próxima semana, a ex-atleta colorada irá depor, ao lado de mais duas outras pessoas apresentadas pela defesa. A conclusão do inquérito tem um prazo de 30 dias.
Apesar do posicionamento da polícia, indicando de que a jogadora não teve nenhum intuito de cometer um ato de discriminação, o Inter não reintegrou à atleta.