A transferência de Rafael Borré para o River Plate, oficializada no fim da semana passada, representa um importante reforço financeiro para o Inter, mas está longe de resolver os problemas de caixa enfrentados pelo clube. A operação renderá 3,5 milhões de dólares aos cofres colorados — cerca de R$ 18 milhões na cotação atual —, valor considerado relevante, porém insuficiente diante do cenário econômico enfrentado pela direção.
Com dificuldades para honrar compromissos financeiros e obrigações com o elenco, o clube trabalha nos bastidores para concretizar novas vendas ainda nesta janela de transferências. A necessidade é evidente. Pelo orçamento aprovado para 2026, o Inter prevê arrecadar ao menos R$ 204 milhões com negociações de atletas ao longo da temporada. Até o momento, entretanto, a saída de Borré é a única transação de maior impacto financeiro.
O desafio da diretoria é encontrar interessados em jogadores capazes de gerar receita sem comprometer a força da equipe comandada por Paulo Pezzolano. A preferência é negociar atletas que não façam parte da base titular, preservando a competitividade para a sequência do Campeonato Brasileiro e das demais competições.
Entre os nomes mais valorizados do elenco, o lateral-esquerdo Bernabei desperta interesse do mercado, mas, até agora, nenhuma consulta evoluiu para uma proposta oficial. O mesmo cenário se repete com outros jogadores de maior valor de mercado, frustrando a expectativa de novas receitas no curto prazo.
Internamente, a direção reconhece a gravidade da situação financeira. Embora evite detalhar quais compromissos estão pendentes, admite a existência de atrasos com o elenco. Nos bastidores, a informação é de que o clube ainda não quitou parcelas referentes aos direitos de imagem dos atletas, além de parte do parcelamento do 13º salário acertado anteriormente.
O clube fechou os primeiros quatro meses do ano com déficit de R$ 94,2 milhões.