Subir no lugar mais alto do pódio e ouvir o hino do Brasil não é para qualquer um. Mas a estreante em etapas de Copa do Mundo de Ginástica Artística, Júlia Coutinho, nunca foi só mais uma. Neste domingo, a ginasta confirmou o favoritismo e se consagrou medalhista de ouro na final de solo, em Koper, na Eslovênia.
Ao som de “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, a flamenguista de 15 anos superou a sua nota nas classificatórias (12.966) e pontuou 13.100, encantando o público com a sua coreografia e acrobacias de alto grau de dificuldade.
Júlia Coutinho começou a se interessar pelo esporte após assistir na televisão as Olimpíadas do Rio 2016. Inspirada em Rebeca Andrade e Flávia Saraiva, que na ocasião foi finalista olímpica de trave, a jovem ginasta passou a treinar junto com as ídolas e, atualmente, figura entre os talentos da modalidade.
Atleta tem carta na manga
A atleta ainda guarda na manga uma tripla pirueta, que não apresentou na competição, mas que pode aumentar a sua nota de dificuldade e contribuir para que ela se firme como especialista nesse aparelho para a seleção brasileira.
E Coutinho não subiu ao pódio sozinha. Em dobradinha, a também estreante Gabriela Barbosa, do Pinheiros, apresentou uma série cravada e ficou com a vice-liderança, somando 12.733. Barbosa já trazia na bagagem a prata conquistada na prova de barras assimétricas, no dia anterior.
A base vem forte
Gabriela Bouças, do Flamengo, medalhou nos dois dias de finais por aparelho na sua primeira Copa do Mundo. No sábado, ela garantiu o bronze nas barras assimétricas, com 12.166, atrás apenas da compatriota e xará Barbosa, que somou 12.266, e de Lucija Hribar, ginasta da casa, que levou a melhor nota do dia, 12.400.
Já no domingo, Bouças pesou ainda mais o pescoço, subindo novamente em terceiro lugar, dessa vez na final de trave, onde pontuou 12.633. A vitória ficou com Georgia-Mae Fenton, que integrou a equipe britânica nas Olimpíadas de Paris 2024.
No naipe masculino, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) optou por levar um time misto, mesclando veteranos e novatos. A escolha se provou acertada com a dobradinha de Lucas Bittencourt e Patrick Sampaio na barra fixa.
Bittencourt, do Minas Tênis Clube (MTC), que terminou com a medalha dourada (13.500), já representa a seleção há mais de uma década. Sampaio, do Pinheiros, vem ganhando cada vez mais espaço em campeonatos internacionais, e arrematou a prata (13.466).
Próximos passos
O principal torneio da temporada é o Campeonato Mundial, em outubro, e os bons resultados conquistados na Eslovênia podem contribuir para a CBG convocar um time mesclado.
Esses novos nomes têm a chance de serem somados ao das grandes estrelas da modalidade, como Rebeca Andrade e Flávia Saraiva, que não competem internacionalmente desde Paris 2024.
*Sob a supervisão de Carlos Corrêa.