Que as mulheres estão ocupando cada vez mais espaço no meio esportivo e alcançando feitos vitoriosos importantes todo mundo sabe. O que também se sabe é que mesmo com os destaques, atletas mulheres não estão nem perto de se igualar financeiramente aos homens. Uma prova disso é que na lista dos 50 atletas mais bem pagos do mundo, divulgada pela revista norte-americana Forbes, nenhum nome feminino está presente.
Na verdade, a última vez que uma mulher esteve presente na lista de atletas mais bem pagos foi em 2023 com Serena Williams, em sua sexta aparição ao longo de nove anos. Desde 2012, apenas outras três mulheres qualificaram-se para o top 50 da Forbes: as tenistas Li Na e Maria Sharapova, ambas aposentadas, e Naomi Osaka, que ainda está retomando seus patrocínios após se tornar mãe. Nenhuma mulher apareceu na lista entre 2017 e 2019, e em 2024 e 2025.
Essa ausência de nomes femininos, de acordo com a própria Forbes, se deve principalmente aos salários e prêmios voltados para mulheres no esporte. Apesar dos números em relação a isso terem melhorado gradativamente nos últimos anos, os atletas masculinos ainda tem uma arrecadação muito superior.
Para se ter uma ideia, o corte financeiro para os 50 mais bem pagos de 2025 é de US$ 53,6 milhões, um aumento de 19% sobre os US$45,2 milhões necessários para entrar na lista no ano passado e mais que o dobro dos US$ 24 milhões exigidos há uma década. Ou seja, nem mesmo os US$ 34,4 milhões arrecadados pela tenista norte-americana Coco Gauff em 2024, entre patrocínios e parcerias, foram suficientes para que a atleta estivesse na lista, já que ela ficou US$ 19,2 milhões abaixo do limite para entrar no ranking.
Receitas das ligas femininas ainda estão atrás
A receita das ligas também vem crescendo nos últimos anos. A WNBA, por exemplo, mais que triplicou seus valores de direitos de mídia para uma média anual de US$ 200 milhões, principalmente após uma série de novos contratos de transmissão negociados pela NBA. Mesmo assim, a própria NBA elevou seu patamar financeiro para US$6,9 bilhões, que antes pairava os US$ 3 bilhões. Assim, as ligas femininas sempre vão estar “correndo atrás” das masculinas.
Alguns esportes estão tentando nivelar os gêneros. Neste aspecto, o tênis é o que está mais avançado, já que as premiações em Grand Slam é a mesma para homens e mulheres. A Fifa também está buscando essa equidade ampliando o número de seleções de 32 para 48 no Mundial Feminino de 2031, para igualar ao do torneio masculino. Além disso, a entidade pretende arrecadar cerca de US$1 bilhão com a realização do torneio que será revertido em investimentos para a modalidade.
Ainda que as receitas crescentes dos esportes masculinos seja um dos fatores que continuam afastando as mulheres da lista dos 50 atletas mais bem pagos da Forbes, os esportes femininos vêm mostrando um crescimento financeiro positivo a cada ano. A estimativa é que a receita global das modalidades atinjam US$ 2,35 bilhões neste ano, um aumento considerável em relação aos US$1,88 bilhão de 2024 e aos US$981 milhões de 2023.