Não bastasse o vexame de ver a seleção fora da terceira Copa do Mundo consecutiva, o torcedor italiano se vê de novo diante de uma notícia para manchar o futebol quatro vezes campeão mundial.
Uma agência de eventos de Milão é alvo da Justiça italiana por orquestrar um esquema de prostituição. Uma reportagem do jornal Gazzetta dello Sport, publicada nesta terça-feira, revelou que mais de 70 jogadores da Serie A italiana estariam relacionados ao esquema, além de pilotos de Fórmula 1, empresários e outras celebridades. Os clientes da organização, no entanto, não estão sob investigação, uma vez que não teriam cometido crimes.
Prostituição, quando feita de forma voluntária, não é crime na Itália. Porém, a legislação italiana proíbe favorecimento à prostituição e exploração sexual por terceiros.
A agência Ma. De Milano teria faturado mais de 1,2 milhão de euros (R$ 7 milhões) para organizar festas ou vender “pacotes” de comemoração pós-jogo. A empresa oferecia jantares em restaurantes de luxo, reservas em casas noturnas, uso de óxido nitroso (conhecido como gás do riso) e serviços de acompanhantes. As festas aconteciam na Itália, mas também em viagens organizadas na ilha grega de Mykonos.
Os nomes dos jogadores envolvidos foram omitidos do relatório. Porém, o jornal italiano relata que a lista inclui atletas da Inter de Milão, Milan, Juventus, Sassuolo e Verona. Não está descrito no relatório quantos jogadores teriam usado o serviço de acompanhantes.
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Investigação revela detalhes e prisões
Escutas telefônicas e mensagens interceptadas pela polícia revelaram detalhes sobre o funcionamento do esquema e das transferências bancárias. Em uma conversa interceptada, um empresário afirma que “tem um amigo piloto de Fórmula 1” que estaria interessado em uma acompanhante. “Vou mandar uma brasileira para ele”, respondeu um dos envolvidos.
Quatro pessoas foram presas até o momento, incluindo o casal Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, suspeitos de chefiar o esquema. Segundo a investigação, a operação começou em 2019 e se manteve mesmo durante a pandemia. Segundo a denúncia, os gerentes do esquema ficavam com pelo menos 50% do valor pago às garotas de programa.
Segundo as informações obtidas pelas escutas telefônicas, mais de 100 mulheres, entre italianas e estrangeiras, estavam envolvidas.