*Por Victória Rodrigues e Isabela Daudt
Apesar de ainda faltar cerca de dois anos para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será sediada no Brasil, as homenagens para as mulheres do futebol já começaram em Porto Alegre. Nesta terça-feira, na cinemateca Capitólio, a Prefeitura em parceria com a Secretaria Extraordinária da Copa Feminina de 2027, celebrou as pioneiras do futebol feminino do Estado com a estreia do primeiro episódio da websérie “Elas Mudaram o Jogo: A História Não Contada do Futebol Feminino Gaúcho”, uma produção que narra a trajetória das primeiras jogadoras gaúchas.
O evento reuniu 37 ex-atletas precursoras de Grêmio e Inter na modalidade que tiveram os nomes indicados pelos próprios clubes. O objetivo principal foi conceder uma homenagem às mulheres que tiveram relevante contribuição na história do futebol feminino do Estado. Para Débora Garcia, secretária extraordinária da Copa Feminina de 2027, o encontro reforçou a valorização do futebol feminino no RS, além do legado das jogadoras para as novas gerações.
“Esse é o primeiro evento pré-Copa, ela é em 2027, mas nós estamos fomentando o torneio no Estado. E com essa valorização das pioneiras, vamos estar valorizando as meninas estão vindo, porque elas vão estar se inspirando quem sabe ser uma grande jogadora que nem foram as pioneiras”, destacou Débora.
Quem reforçou o legado das pioneiras para as novas gerações foi a diretora do departamento de futebol feminino do Grêmio, Marianita Nascimento. Homenageada na Calçada da Fama do clube um dia antes, a ex-atleta ressaltou a importância da homenagem principalmente para nunca esquecer quem lutou para que a modalidade ganhasse tivesse seu espaço e reconhecimento.
"É como se acendesse uma chama nas pessoas para entender que mesmo que o futebol feminino tenha se distanciado tanto tempo dos dias atuais, tiveram pessoas que passaram por situações lá atrás para que desse condição que ele existisse hoje. E eu acho que isso é inspirador para a nova geração”, afirmou Marianita.
Batalhas enfrentadas além do campo
Em uma noite para celebrar as pioneiras dos clubes gaúchos, a ex-jogadora Rosane Machado Rollo, que já vestiu a camisa tanto de Grêmio quanto de Inter, ressaltou que o que realmente importa é a luta do futebol feminino, independentemente da cor do time.
“Às vezes, a gente entrava em campo e não sabia se ia sair, em virtude da questão racial e de preconceito de gênero”, relembrou sobre as batalhas que extrapolavam os gramados.
Primeira capitã do Inter e porta voz das pioneiras coloradas no evento, Elizabette Amorim destacou a importância desse reconhecimento, em contraponto à falta de apoio e infraestrutura enfrentada pelas homenageadas. Para ela, a situação do futebol feminino está melhorando gradualmente, e a mensagem que fica é de dedicação para superar os obstáculos.
“Se gosta do futebol, vai à luta, porque também não está muito fácil. Ainda está difícil, temos muito que evoluir, mas se tem amor ao esporte, ao futebol, tem que seguir sempre em frente, nunca desistir”, concluiu Bete.