Em celebração aos 254 anos da Capital Gaúcha, nesse domingo, a Praça Montevidéu será o ponto de largada da Corrida de Aniversário de Porto Alegre. A partir das 7h, mais de 1700 atletas de diferentes faixas etárias se dividirão em percursos de 15km, 7km e 3,5km, além da caminhada de 3,5km. Um deles será o primeiro campeão da história da maratona: Adão Juarez Camões.
Era abril de 1983, quando Porto Alegre conheceu o primeiro vencedor da sua maior maratona. O morador de São Leopoldo, de 74 anos, encontrou a paixão pela corrida quando ingressou no Exército e começou a correr em revezamentos de atletismo. Naquela época, o leopoldense se dividia entre o trabalho como office boy e os treinos na Sogipa – e mesmo assim completou o percurso em um tempo de 2h35min47s.
Depois de 43 anos, Camões retoma as ruas com apoio do projeto social “Rosto ao Vento”. Atualmente, sua participação em corridas está restrita, mas é possível com o auxílio da cadeira adaptada para pessoas com baixa mobilidade. Para ele, participar da história da corrida é uma conquista que carrega com carinho.
"Motivar e inspirar gerações. Éramos 250 corredores em 1983, hoje somos mais de 20 mil. Ajudei a inspirar e hoje essa multidão me inspira a viver, mesmo com minhas limitações atuais", refletiu.
Carreira e marcos pessoais
Sua carreira até o momento foi marcada por trabalhos voluntários no campo do atletismo, onde inclusive desempenhou o papel de treinador e professor. Contudo, entre janeiro de 2018 e maio de 2023, o atleta sofreu dois AVCs isquêmicos.
Outro período difícil foi quando o atleta perdeu a esposa, em setembro de 2023. Hoje, seu Adão mora em um lar de idosos no Bairro Feitoria, mas convive com os filhos Marcos Camões, de 40 anos, e Rojutelma Camões, de 44.
Homenageado em um painel instalado no Muro da Mauá, às margens do Guaíba, entre maio e setembro de 2025, o corredor teve sua foto exposta em uma iniciativa que enfatizava temas como a história, preparação, a saúde e as principais provas do mundo. Agora, neste domingo, seu Adão volta em carne e osso para correr no coração de Porto Alegre.
*Com supervisão de Carlos Corrêa