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Professor gaúcho é convocado para representar o Brasil em Mundial de Basquete Master

Thulius Kreling da Rosa integra a categoria 40+ em campeonato que reunirá atletas de mais de 40 países, entre 27 de junho e 6 de julho

Professor gaúcho Thulius Kreling da Rosa (6) é convocado para Mundial Master de Basquete
Professor gaúcho Thulius Kreling da Rosa (6) é convocado para Mundial Master de Basquete Foto : Arquivo Pessoal / CP

O professor do Colégio Anchieta Thulius Kreling da Rosa, porto-alegrense de 41 anos, foi convocado para defender o Brasil no 17º Mundial Master de Basquete na região de Ticino, na Suíça, entre os dias 27 de junho e 6 de julho. Kreling competirá na categoria 40+, ao lado de 6 mil atletas, com idades entre 35 e 80 anos, vindos de mais de 40 países.

“Representa todo o investimento de uma vida inteira que eu tive do basquete”, comenta o professor sobre a importância de ser chamado para a competição. “A convocação veio para premiar esse esforço todo”, acrescenta.

A convocação

Kreling conta que o Brasil é um dos poucos países presentes no Mundial que de fato realiza uma seleção de atletas. A maioria deles escolhe parte de um time de uma mesma região que já treina junto e, portanto, tem mais interação em quadra. Ele próprio, por exemplo, foi convocado após o desempenho no Campeonato Brasileiro Master, em Caxias do Sul, em 2024, quando sagrou-se campeão pela equipe da Associação de Veteranos e Amigos do Basquete do Espírito Santo (AVABES).

Por essa questão logística, o professor prevê maior dificuldade nos dois primeiros jogos, contra a Suíça e a Costa Rica. Embora se conheçam e já tenham jogado juntos em algumas oportunidades anteriores, os brasileiros selecionados vêm de vários times espalhados pelo território nacional. Para o Mundial, onde o Brasil jogará no mínimo seis partidas, o grupo não se reuniu para treinamento prévio.

Como começou no basquete

Kreling vem de uma família de quatro filhos e pais altos, e foi justamente a altura que chamou a atenção dos professores do Anchieta, onde começou a jogar basquete, aos 8 anos, na escolinha da instituição. Aos 10, passou a treinar atletismo na Sogipa, durante seis meses, mas, buscando o irmão mais velho no treino de basquete no clube, foi convidado a participar do time.

De lá, aos 14 anos, partiu para São Paulo, para integrar as categorias de base do Esporte Clube Pinheiros, alavancando a sua carreira. Ao longo dela, acumulou conquistas expressivas, como o vice-campeonato Sul-Americano de Basquete em 1999 pela Seleção Brasileira, e o título de melhor jogador e cestinha no Campeonato Brasileiro de 2000, defendendo a Seleção Paulista.

Para ele, o basquete é uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e social, que ensina a tomar decisões rápidas, resolver problemas e trabalhar em equipe. “A gente tem ensaios da vida adulta constantes dentro da quadra”, comenta o professor.

Trajetória de títulos

Em 2002, pelo Bauru, foi campeão da Liga Nacional na categoria adulto, atual Novo Basquete Brasil (NBB), e conquistou o terceiro lugar no Campeonato Sul-Americano de Clubes. Em 2003, foi campeão dos Jogos da Juventude pela seleção paulista.

Já em 2004, o atleta foi transferido para o Uniara, em Araraquara/SP. No mesmo ano, foi campeão paulista na categoria juvenil. Em 2006, seguindo para Santa Catarina, foi campeão estadual pelo Joinville Basquete na categoria adulto e no ano seguinte alcançou o terceiro lugar na Liga Nacional.

Em 2008, transferiu-se para a Univates, em Lajeado/RS, sendo campeão gaúcho e sul-brasileiro, repetindo os títulos em 2009 pelo Clube Juvenil de Caxias do Sul, onde encerrou sua carreira profissional no final daquele ano devido a lesões no joelho.

De aluno à professor

Depois da carreira de atleta profissional, em 2018, Kreling se formou em Educação Física. Desde 2020, é treinador na formação complementar do Colégio Anchieta. Ele atende cerca de 90 estudantes, de ambos os gêneros, desde a escolinha, destinada a alunos do 3º ao 6º ano do Ensino Fundamental, até os grupos de treinamento, do 7º ano do Fundamental à 3ª série do Ensino Médio.

Sob sua orientação, as equipes do Anchieta participam de campeonatos escolares, amistosos com clubes e torneios nacionais e internacionais. Sobre o seu trabalho, ele destaca a vantagem de poder estar em quadra todos os dias e o suporte do colégio para que possa passar quase 15 dias fora para disputar o Mundial.

Atualmente, além de ser referência para os alunos – que estão empolgados com a convocação do professor e perguntam onde assistir as partidas – joga no time Belgrado Brothers, em Porto Alegre, e segue participando de campeonatos master.

“Costumo dizer que seguirei jogando basquete até ficar bem velhinho. Por mais que as lesões tentem me parar, a paixão pelo jogo sempre fala mais alto”, conclui.

*Sob a supervisão de Carlos Corrêa.

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