Poucas vezes na história dos Gre-Nais as duas equipes chegaram juntas com tanto descrédito. Por onde quer que se ande, a preocupação com o momento de Grêmio e Inter é assunto. De maneira talvez inédita, ela é maior até do que a com o próprio confronto, algo comum quando os dois se enfrentam.
A sensação de insegurança com o futuro a longo prazo no Brasileirão a partir do que sairá do resultado das quartas de final da Copa do Brasil desperta incertezas que vão além do Mampituba. A sensação no ar é que, diante do cenário atual, há mais em jogo do que uma simples classificação, a premiação milionária que ela contempla ou a corrida para um eventual título deixando o tradicional adversário para trás.
“O perdedor, além de receber uma resposta do campo, de que nem com uma motivação extra diante de um rival do mesmo nível, consegue prevalecer. O baque vai ser importante e em um clássico em que os sentimentos se potencializam, a derrota pesa mais”, prevê Gilberto Júnior, narrador da Rádio Caxias.
À medida que subimos no mapa, a percepção não muda muito sob a ótica do perdedor como a do vencedor. “Pode significar ‘salvar a temporada’, ainda mais para o Inter, já que o Grêmio foi campeão gaúcho. Não creio que nenhum tenha condições de terminar o torneio com o título. O eliminado terá seu drama triplicado: cair diante do rival, perder dinheiro e viver uma panela de pressão até o fim do Brasileiro”, opina Luciano Neves, apresentador esportivo da TV Tarobá e editor de Esportes da TV Gazeta do Paraná.
Na quinta-feira, Minas Gerais será o local fora daqui com mais gente de olho no que irá acontecer em Porto Alegre. Afinal de contas, do Gre-Nal sai quem vai encarar Atlético Mineiro ou Cruzeiro em uma das semifinais. “No amistoso de julho em Brasília, antes da Copa do Mundo, o Grêmio parecia que estava jogando a vida e teve uma boa atuação especialmente com o Gabriel Mec. Já no duelo contra o Inter no Brasileirão, o Cruzeiro foi quem buscou uma vitória no Beira-Rio”, recorda Emerson Pancieri, repórter da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte.
“Quem passar fica a dois jogos de confirmar vaga na próxima edição da Copa Libertadores. Penso que o Inter chega melhor por ter eliminado o atual campeão e por vir de uma sequência difícil e sem perder no Campeonato Brasileiro”, Fabrício Calazans, também da Itaiaia.
No eixo Rio-SP, a avaliação não se altera tanto. Setorista do São Paulo, nos canais ESPN, Eduardo Afonso, projeta as consequências que certamente um dos envolvidos terá de lidar. No caso do eliminado, se recuperar logo ali na frente diante de um outro desafio: “Olhando de fora, por mais que permanecer seja mais importante, não há nada melhor que ele eliminar o rival. Quem avançar, vai ganhar muito ânimo para escapar do Z-4 e quem perder vai se abalar a ponto da gente não saber se terá forças para nadar contra essa corrente no Brasileirão”.
Ao contrário dos outros dois clássicos desta fase no torneio, Galo x Cruzeiro e Palmeiras x Santos, a peculiaridade gaúcha está justamente na fase ruim de ambos praticamente durante todo o ano. Por isso, é possível enxergar o outro lado da moeda. “É a oportunidade de salvar a temporada e mudar a perspectiva para um futuro breve. A percepção à distância é de que o classificado ‘paga’ a sua missão no ano e, por tabela, deixa uma crise difícil de superar no lado do rival”, diz Cahê Mota, repórter do GE, do Rio de Janeiro.
O fato é que nos próximos dez dias, o Rio Grande do Sul viverá dias nervosos e manterá os olhos do resto do Brasil apontados para cá. Não porque será daqui o último classificado, mas por ver também como sairão Grêmio e Inter de um duelo tradicional, mas nesta edição da Copa do Brasil, atípico.
“A ruindade dos dois é espantosa. Nem os times rebaixados desta Dupla, que a cada ano diminui de tamanho, eram tão medíocres. Um deles, com certeza, será rebaixado. Talvez até ambos. Como a falta de qualidade é o que une Grêmio e Inter, acho que os dois Gre-Nais terminarão empatados em 0 a 0 e a vaga nas semifinais será decidida nos pênaltis”, finaliza Roberto Thomé, repórter da TV Record.