Esportes

Timaços no papel, decepções em campo

Em especial sobre a Copa, o Correio do Povo relembra seleções que chegaram perto, mas não levaram

Com quarteto mágico e tudo, o Brasil de 2006 caiu antes do tempo e ficou como um dos grandes times (no papel) da história das Copas
Com quarteto mágico e tudo, o Brasil de 2006 caiu antes do tempo e ficou como um dos grandes times (no papel) da história das Copas Foto : Johannes Simon / AFP
Tinha tudo para dar certo: no papel, um timaço; no início do Mundial, vitórias, porém, na hora da verdade, a derrota. São os campeões no papel, o tema do sexto especial do Correio do Povo sobre as Copas do Mundo. A equipe do CP selecionou cinco seleções que poderiam ser campeãs, mas acabaram voltando para casa com as mãos vazias.

Se lembrar de uma que não entrou na lista ou discordar, deixe sua opinião em comentários

O top 5 dá continuidade à série que já recordou as melhores defesas, os pernas de pau, os frangos inesquecíveis, as finais mais marcantes, pancadarias memoráveis e as eliminações marcantes Argentina.


5º lugar:
Espanha, 2010

Esse é puro chute, especulação e corneta adiantada. Se não acontecer, podem cobrar na redação do site do Correio do Povo. Outra vez a “Fúria” é apontada como favorita para uma Copa do Mundo. Dessa vez, chega com moral mais elevado ainda – vale lembrar que até pouco tempo atrás estava na liderança do ranking da Fifa.

Os espanhóis vêm fortes, é verdade, mas é bom lembrar que esse filme já passou antes, Em 2006, encerraram a participação nas oitavas de final. Na edição anterior, quando também montaram um time forte, foram eliminados nas quartas.

O Mundial 2010 ainda nem começou e os espanhóis já tiveram uma notícia ruim. Recuperando-se de lesão, o atacante Fernando Torres, um dos destaques da seleção, talvez nem jogue a primeira fase.

Para ilustrar essa sina, vamos relembrar a Copa das Confederações do ano passado. A Espanha chegou à África do Sul como grande favorita. Porém, foi eliminada pelos Estados Unidos nas semifinais.






4º lugar:

Holanda, 1974

Eis uma seleção que encheu os olhos do mundo. O “Carrossel Holandês”, como foi chamado, encantou na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, com seu inovador estilo de jogo. Os jogadores – entre eles Cruyff – não guardavam posição e estavam em vários lugares do campo. O esquema fazia a defesa adversária bater cabeça. No entanto, o troféu de campeão não teve como destino Amsterdã...

Ao longo dos sete jogos daquela Copa, a Holanda fez os goleiros rivais buscarem a bola nas redes por 13 vezes, enquanto a defesa só vazou em três oportunidades. A campanha ainda teve direito a 4 a 0 na Argentina e 2 a 0 no Brasil. Entretanto, dois desses gols que os holandeses levaram aconteceram justamente na final, contra a anfitriã Alemanha. E, nessa partida, a “Laranja Mecânica” marcou só um. No apito final, coube a Beckenbauer levantar a taça.






3º lugar:

Brasil, 1950

Dói lembrar desse ano, não é? Dessa Copa, no Brasil, a lembrança é a do Maracanazzo. Mas, claro, antes da final em que fomos derrotados pelo Uruguai diante de 200 mil torcedores, a Seleção Brasileira encantou. Até a decisão, foram cinco jogos, quatro vitórias, 21 gols marcados e só quatro sofridos.

A grande campanha fez a população do País se mobilizar e acreditar que a equipe – que ainda não era canarinho – iria conquistar o primeiro título mundial em casa. No entanto, veio a final, com os uruguaios. E diante de um Maracanã lotado, eles... bem, você sabe o que eles fizeram. Vamos passar para a próxima.

2º lugar:
Hungria, 1954

Além de vir embalada pela medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de dois anos, a Hungria de 1954 tinha Puskas. Só isso já a credenciava como uma das favoritas para o Mundial da Suíça. E o time realmente era o adversário mais temido daquela Copa do Mundo. Impôs respeito na estreia: 9 a 0 (sim, NOVE) em cima da Coreia do Sul. No jogo seguinte, 8 a 3 nos reservas da Alemanha Ocidental, que já escalou o time B por saber que não ganharia.

Nos confrontos seguintes, placares iguais: 4 a 2. Em cima do Brasil e com direito a quebra-pau, na Batalha de Berna – já lembrada pelo Correio do Povo como uma das maiores pancadarias em Mundiais – e no Uruguai, então campeão mundial.

Na decisão, surge a Alemanha de novo, agora, claro, com os titulares – e ainda dopados, o que foi confirmado depois. Desgastada pelos duros confrontos das partidas anteriores, e com Puskas lesionado, a Hungria não teve pernas para uma nova goleada. Empatava em 2 a 2 até os 39 minutos, quando levou o terceiro. Puskas ainda deixou tudo igual logo a seguir, mas o bandeira invalidou o lance, deixando como vice-campeã uma das melhores seleções da história do futebol.

1º lugar:
Brasil, 2006

A grande dúvida do Brasil na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, era se Parreira devia escalar o quarteto mágico – com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano – ou chutar o balde e colocar Robinho nessa lista, formando, assim, o “quinteto mágico”. A coisa andou mais ou menos por aí, com todo mundo considerando o Brasil a melhor seleção do torneio. No papel.

Treinos lotados, oba-oba, risos, piadinhas, bebida alcoólica e fugas da concentração. Foi bem por aí que andou o clima da nossa seleção que tentou o hexa. O resultado disso, claro, foi inversamente proporcional à diversão. Com um futebol pouco convincente, o Brasil foi vencendo. Sufoco no 1 a 0 na estreia com a Croácia, 2 a 0 na Austrália e duas goleadas depois: 4 a 1 no Japão e 3 a 0 em Gana.

Mas aí vieram os franceses, capitaneados por Zidane, o mesmo algoz da Copa de 1998. Ao invés de revanche, acabamos sendo derrotados de novo pelos blues. O lance da derrota aconteceu no segundo tempo. Zidane – ele mesmo – levantou na área, Roberto Carlos ajeitou a meia e Thierry Henry surgiu livre para marcar o único gol do jogo.

E aí os sorrisos dos brasileiros sumiram e o “quarteto mágico”, que tinha tudo para ser campeão, acabou nas páginas negras da seleção canarinho.