Esportes

Trapaças e palavrões: como o curling virou a grande polêmica dos Jogos de Inverno

Federação precisou alterar o protocolo dos jogos depois de reclamações das seleções

Marc Kenndey, do Canadá, é acusado de trapacear, tocando a pedra com o dedo após o lançamento
Marc Kenndey, do Canadá, é acusado de trapacear, tocando a pedra com o dedo após o lançamento Foto : Tiziana FABI / AFP / CP

O curling, quem diria, se transformou na grande polêmica dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina. Em poucos dias, a situação nas pistas escalou de palavrões para acusações de trapaça e gravações alternativas, a ponto de a Federação Internacional entrar em cena e alterar os protocolos da modalidade.

O ponto central em toda a discussão começou na sexta-feira passada, durante o jogo entre Canadá e Suécia, na disputa masculina. Após uma partida equilibrada, os norte-americanos abriram vantagem na oitava de dez entradas. Foi quando surgiu a discussão entre o canadense Marc Kennedy e o sueco Oskar Eriksson. A alegação dos europeus era de que Kennedy estava trapaceando, ao tocar a pedra com o dedo após o seu lançamento, corrigindo a sua trajetória – o que é proibido na regra. As imagens oficiais, por sua vez, não confirmaram a acusação.

Bate-boca e acusações

No curling, no entanto, os atletas têm mais peso nas decisões de pista do que outros esportes. E como os dois lados assinaram a súmula após a vitória do Canadá por 8 a 6, não houve sanção alguma, fora uma dirigida a Kennedy, não pelas trapaças, mas por proferir palavrões durante a partida. Do outro lado, no bate-boca, Eriksson falou algo que só faria sentido mais tarde: “Depois do jogo eu te mostro o vídeo”.

Coincidentemente (ou não), não demorou muito para surgirem nas redes sociais filmagens feitas pela lateral da pista que, de fato, comprovam que a acusação sueca procedia: Kennedy, com o dedo indicador, dá um toque na pedra, mudando levemente a sua direção. A defesa do Canadá foi por uma linha, no mínimo, curiosa. Em vez de focar no lance em si, acusou os suecos de terem posicionado alguém de forma premeditada para filmar o lance. Ou seja, tudo não passava de uma “armadilha”.

O resultado, porém, foi mantido pela organização do evento e o Canadá voltou à quadra no sábado, desta vez para enfrentar a Suíça. E os suíços não perderam tempo. Denunciaram Kennedy à arbitragem pelo mesmo motivo. A Federação de Curling, então, entrou em cena. Manteve o resultado, mas anunciou que dali em diante passaria a escalar mais responsáveis para fiscalizar eventuais toques ilegais.

Protocolo foi alterado

O que era para ser uma solução se tornou outro problema. Mais casos foram verificados, mas notadamente sem intenção. Além disso, várias seleções reclamaram que a nova fiscalização não seguia um padrão, acontecendo de forma esporádica. A pressão deu resultado e, no domingo, o protocolo tradicional foi alterado. A partir de agora, as equipes que se sentirem prejudicadas, podem solicitar monitoramento dos lançamentos adversários por até três entradas.

Nesta segunda-feira, o Canadá voltou à pista e venceu a República Tcheca por 8 a 2, o que deixa a seleção no segundo lugar geral, atrás apenas da Suíça. A Suécia está em oitavo lugar. A fase de classificação vai até quinta-feira, quando começam as semifinais, nas quais avançam só os quatro primeiros lugares.

Veja Também