A delegação da Ucrânia anunciou que boicotará a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, marcada para 6 de março, em Verona. O protesto é uma resposta direta à decisão do Comitê Paralímpico Internacional (CPI) de permitir que atletas da Rússia e de Belarus compitam sob suas bandeiras e hinos nacionais.
O Comitê Ucraniano classificou a medida como "escandalosa" e exigiu que o pavilhão nacional do País não seja exibido durante o desfile inicial, acompanhando o boicote político já declarado pelo governo de Kiev.
Contradição entre simbolismo e competição
Apesar da ausência na cerimônia, os para-atletas ucranianos confirmaram participação nas provas. Valery Sushkevich, presidente do Comitê Nacional, afirmou que a retirada total das competições seria interpretada como uma vitória para Vladimir Putin. A Ucrânia é uma potência paralímpica, tendo conquistado o segundo lugar geral em Pequim-2022.
Sushkevich criticou a mudança de postura do CPI, alegando que a entidade abandonou os valores democráticos ao reintegrar símbolos nacionais de países agressores antes do fim da guerra.
Reintegração russa e boicote da União Europeia
A decisão do CPI de conceder convites diretos a russos e bielorrussos, sem passarem pelos processos classificatórios tradicionais, gerou repercussão internacional. O comissário da União Europeia para o Esporte, Glenn Micallef, também cancelou sua presença no evento em solidariedade à Ucrânia. Enquanto isso, nos Jogos Olímpicos de Inverno convencionais, os russos seguem competindo sob bandeira neutra.
Recentemente, o esquiador Nikita Filippov conquistou a primeira medalha de prata para o grupo de atletas neutros, evidenciando o tratamento distinto dado pelas federações às duas competições.
A crise remonta a fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia dias após o encerramento dos Jogos de Inverno de Pequim. Naquela edição, o lema "Paz para Todos" foi amplamente apoiado pelo CPI, contraste que hoje fundamenta as acusações ucranianas de conivência da organização com Moscou. O comitê internacional informou que segue em negociações com os dirigentes de Kiev para tentar mitigar o impacto do boicote durante a realização do evento na Itália.