Após auditoria, o MP declarou que os 12 imóveis em nome do vereador são compatíveis com a renda apresentada, mas Miguel não soube explicar como adquiriu os 13 em nomes das empresas. O período em que o ex-atleta mais aumentou seu patrimônio foi entre 2008 e 2009, quando presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do IPTU na Câmara Municipal. Segundo o MP, o vereador é suspeito de cobrar propina de shoppings para omitir irregularidades no relatório final da CPI.
Em junho de 2012, o parlamentar passou a ser investigado após Daniela Gonzalez, ex-executiva da BGE , empresa do grupo Brookfield, relatar à Folha o pagamento de propina a Miguel e a Hussain Aref Saab, então diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov). Testemunhas informaram o MP que nesse período Miguel recebeu remessas de dinheiro vivo. Em documentos obtidos em cartórios, a reportagem da "Folha" confirmou que oito de seus imóveis foram pagos em dinheiro.
Ao jornal, Aurélio Miguel se defendeu afirmando que sua evolução patrimonial é decorrente de negócios legítimos de compra e venda de imóveis antes mesmo de se tornar vereador, além de partilha de herança. Ele também negou que tenha recebido propina enquanto presidia a CPI do IPTU. Para comprovar o que diz, ele afirmou ter autorizado a Promotoria a quebrar seus sigilos bancário e fiscal e que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) emitiu parecer favorável em 2012, avalizando todas as suas transações financeiras.
Como atleta, Aurélio Miguel conquistou duas medalhas olímpicas: ouro em Seul-1988 e bronze em Atlanta-1996. Após sua aposentadoria nos tatames, entrou para a política e foi eleito vereador de São Paulo nas eleições de 2004, pelo PR, com 38.419 votos, usando sua fama como atleta. Em 2008, foi reeleito com 50.084 votos. E em 2012 chegou à segunda reeleição com 32.520 votos.