Andreia Gentilini


Novos sabores da Argentina: Patagônia e Salta além de Mendoza

Patagônia e Salta se destacam entre os vinhos argentinos por unir qualidade, identidade e preços acessíveis — e revelam rótulos surpreendentes por até R$ 100

Vinhos da Patagônia e de Salta oferecem ótimo custo-benefício e ganham espaço no mercado brasileiro
Vinhos da Patagônia e de Salta oferecem ótimo custo-benefício e ganham espaço no mercado brasileiro Foto : Andreia Gentillini / Especial / CP

Embora Mendoza ainda seja a região mais conhecida da Argentina, um olhar atento revela outras áreas que vêm conquistando consumidores que buscam vinhos de excelente qualidade e preços mais convidativos. Entre essas regiões, Patagônia e Salta se destacam, oferecendo vinhos com estilos próprios e identidades muito bem definidas.

A Patagônia, situada no extremo sul do país, tem clima frio, ventos constantes e ampla variação térmica, resultando em vinhos frescos, com maior acidez natural e taninos mais sutis. Já Salta, no noroeste, abriga vinhedos de altitude extrema – alguns acima de 2.000 metros – que geram uvas altamente concentradas, com frutas intensas e equilíbrio surpreendente.

Ambas as regiões entregam rótulos que aliam autenticidade a uma ótima relação custo-benefício, despertando a curiosidade de quem busca fugir do óbvio. Em recente viagem à Argentina, explorei supermercados e lojas especializadas em busca de bons achados, provando diversos rótulos na faixa de R$ 100, selecionando os que oferecem a melhor experiência pelo preço.

Qualidade e vinho acessível

Um bom exemplo dessa qualidade patagônica é a Família Schroeder, vinícola referência na região de San Patricio del Chañar, no Neuquén. A linha Saurus Estate, especialmente o Malbec 2024, mostra o estilo da casa: fruta pura, frescor vibrante e toques sutis de especiarias, resultado do clima frio. É um vinho acessível e versátil, excelente para acompanhar desde carnes grelhadas até massas.

No Brasil, a importadora Decanter traz alguns rótulos, que chegam a partir de R$ 100, oferecendo uma das melhores portas de entrada para quem deseja conhecer o perfil patagônico. A vinícola, que combina tecnologia de ponta com uma filosofia voltada à expressão do terroir, também é reconhecida por sua preocupação com sustentabilidade e inovação.

Outro nome histórico da Patagônia é Humberto Canale, fundada em 1909 em General Roca, no Alto Valle do Rio Negro. A vinícola combina tradição e modernidade, trabalhando com vinhedos centenários que dão origem a vinhos elegantes e de personalidade marcante.

Entre os vinhos degustados, o Íntimo Cabernet Sauvignon 2022 surpreendeu pelo equilíbrio entre fruta madura, taninos macios e frescor, apresentando um estilo que privilegia a elegância ao invés da potência excessiva. Já o Cabernet Franc 2022 destacou-se pela tipicidade da variedade, com notas herbáceas delicadas e textura sedosa, mostrando por que essa uva vem ganhando protagonismo na região.

Vinhos de altitudes

Saindo do sul e viajando ao norte, chegamos a Salta, berço de vinhos de altitude e lar de algumas das vinícolas mais emblemáticas do país. A Bodega Colomé, pertencente ao grupo Hess, é uma verdadeira referência: seus vinhos de vinhedos entre 1.700 e 3.000 metros entregam uma combinação rara de concentração, estrutura e frescor.

Colomé tornou-se sinônimo de qualidade em Salta, especialmente com seus Malbecs, que se destacam pela fruta negra intensa e notas florais típicas da altitude. Outro destaque é a tradicional Etchart, com mais de 80 anos de história, que segue produzindo vinhos com ótima relação entre qualidade e preço.

Durante a viagem, o Cafayate Malbec 2024 se mostrou a melhor compra entre os vinhos provados: fácil de beber, com frutas frescas, taninos dóceis e um perfil vibrante. No Brasil, é trazido por importadoras independentes e pode ser encontrado entre R$ 90 e R$ 100, reforçando seu excelente custo-benefício.

Diversidade na Patagônia e Salta

Em resumo, explorar Patagônia e Salta é abrir-se para a diversidade do vinho argentino além de Mendoza. São regiões que oferecem estilos contrastantes – frescor e sutileza patagônicos versus potência equilibrada da altitude saltenha – mas que compartilham a capacidade de surpreender pela qualidade e acessibilidade.

Vinhos como o Saurus Estate Malbec 2024, os Íntimo Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc 2022 e o Cafayate Malbec 2024 exemplificam esse momento especial da vitivinicultura argentina, entregando experiências autênticas sem exigir grandes investimentos. Para quem busca novas descobertas, vale a pena incluir essas garrafas na adega e brindar à pluralidade de um país que segue se reinventando e encantando o mundo do vinho.

Veja Também

🍇🍷Provei e amei

1️⃣ Familia Schroeder Saurus Malbec 2022/2023 – Malbec da Patagônia, com frutas vermelhas vibrantes, acidez equilibrada e taninos suaves.

2️⃣ Familia Schroeder Saurus Select Malbec 2022 – Vinhedos de altitude mais elevada conferem maior intensidade e especiarias sutis, corpo médio e textura aveludada.

3️⃣ Humberto Canale Gran Reserva Cabernet Franc 2022 – Cabernet Franc patagônico de caráter elegante, com aromas herbáceos, frutos vermelhos maduros e taninos finos; importado por casas como a Sommelier Vinhos, geralmente entre R$ 120 e R$ 150.

4️⃣ Humberto Canale Íntimo Cabernet Sauvignon 2022 – Estilo refinado da Patagônia, fruta madura com corpo médio, taninos redondos e acidez refrescante. Importado pela Sommelier Vinhos, na mesma faixa de preço do anterior (R$ 120 a R$ 150, estimados).

5️⃣ Colomé Estate Malbec 2022 – Proveniente dos vinhedos mais elevados dos Vales Calchaquíes, em Salta, esse Malbec expressa a tipicidade da altitude com fruta intensa (cassis e ameixa), acidez viva e taninos elegantes — equilibrado, estruturado e fácil de beber.