A presença do vinho no restaurante evoluiu de coadjuvante a elemento central da experiência e, nesse novo cenário, o sommelier assume um papel estratégico. Mais do que sugerir rótulos, é ele quem interpreta o perfil do cliente, traduz o terroir em linguagem acessível e constrói pontes entre a cozinha e a taça.
Em destinos turísticos como Gramado, onde a expectativa por experiências completas é elevada, o serviço de vinho bem estruturado pode ser o verdadeiro diferencial. Casas que compreendem essa dinâmica saem na frente ao oferecer não apenas uma refeição, mas uma narrativa que valoriza origem, cultura e identidade. E quando essa narrativa inclui o vinho brasileiro, o impacto é ainda mais potente: há autenticidade, conexão regional e um convite genuíno à descoberta.
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É nesse contexto que o Catherine se consolida como referência. Inaugurado em setembro de 2022 com a proposta de “alma francesa com sotaque gaúcho”, o restaurante nasce de um conceito que valoriza o quilômetro zero, os produtores locais e a releitura contemporânea da tradição.
Curadoria de vinhos
À frente da curadoria de vinhos está a Sommelière Rosa Fattori, que chegou à casa em novembro do mesmo ano e rapidamente imprimiu sua visão: colocar o vinho nacional no centro da experiência. Em fevereiro de 2023, após uma leitura precisa do público, promoveu a primeira grande mudança na carta — de 9 para 15 vinícolas brasileiras — evoluindo, na sequência, para 26 produtores.
Seu projeto é ainda mais ousado: uma carta integralmente brasileira, sustentada pela convicção de que o país já oferece diversidade e qualidade suficientes para protagonizar grandes mesas. Paralelamente, Rosa lidera a formação de mais de 130 colaboradores do grupo, estruturando conhecimento e garantindo consistência no serviço — um dos pilares invisíveis, mas decisivos, da excelência.
Os resultados aparecem de forma concreta. O Catherine acumula reconhecimentos que reforçam sua posição entre os grandes do estado e do país: eleito melhor atendimento de Gramado e melhor cozinha francesa em 2025 pela Sabores do Sul, além de figurar entre os 30 melhores restaurantes do Rio Grande do Sul.
O chef Nícolas Heckel, sócio da casa, foi eleito melhor chef de Gramado desde 2023, após já ter sido revelação em 2022. No cenário mais amplo, o restaurante alcança destaque no TripAdvisor como o 6º melhor do Brasil e o 9º da América Latina, além de ocupar a 7ª posição entre os melhores gaúchos pelo Bom Gourmet. Esses números não são apenas troféus: refletem uma construção consistente onde gastronomia, serviço e vinho caminham em sintonia — e onde o vinho brasileiro assume, com segurança, o seu lugar.
Movimento pela região
Esse movimento começa a ecoar pela região. O Hard Rock Cafe Gramado, reconhecido como o melhor Hard Rock do mundo, sob a liderança de Gabriela Ruschel Michaelsen, recebe cerca de 30 mil visitantes por mês e já identifica no vinho — especialmente o brasileiro — uma oportunidade clara de diferenciação. Em um cardápio globalmente padronizado, a carta de vinhos surge como espaço estratégico de identidade e adaptação ao público local.
Na mesma direção, o Pastaciutta, com operações também em Porto Alegre e no litoral, revisa e amplia suas seleções, incorporando mais rótulos nacionais e acompanhando a evolução do consumidor. São sinais consistentes de uma nova consciência: valorizar o vinho brasileiro não é apenas uma escolha estética ou regionalista, mas uma decisão inteligente de negócio.
Que esses exemplos inspirem outros empresários da Serra Gaúcha a olhar para dentro — e a reconhecer, no vinho produzido aqui, um ativo poderoso para construir experiências memoráveis, autênticas e competitivas.
Os rótulos brasileiros preferidos por Rosa Fattori
A sommelière Rosa Fattori destaca cinco vinhos brasileiros que são sucesso no salão do Catherine:
- Bebber Chimango — Um branco de sucesso: Produzido pela vinícola Bebber, na Serra Gaúcha, este vinho branco expressa frescor e vivacidade, com notas de frutas cítricas e florais. Em boca, apresenta acidez equilibrada e perfil leve, sendo um vinho versátil, fácil de harmonizar e de grande aceitação entre os clientes.
- Zanotto Sauvignon Blanc — Um branco surpreendente: Elaborado pela vinícola Zanotto, também na Serra Gaúcha, este vinho revela tipicidade com aromas herbáceos elegantes, frutas tropicais e nuances minerais. Um vinho branco preciso, fresco e expressivo, que surpreende pela qualidade e identidade.
- Amitié Pinot Noir — Um tinto leve e frutado: Da vinícola Amitié, na Serra Gaúcha, este vinho tinto apresenta perfil delicado, com destaque para frutas vermelhas frescas como cereja e framboesa. Em boca, é leve, com taninos macios e grande elegância, sendo um vinho gastronômico e de fácil apreciação.
- Larentis Cepas Ancellotta — bom custo-benefício: Produzido pela Vinícola Larentis, no Vale dos Vinhedos, e elaborado pelo enólogo André Larentis. Esse vinho tinto varietal de Ancellotta apresenta cor intensa, notas de frutas negras maduras, especiarias e leve toque balsâmico; em boca, é estruturado, com taninos maduros, boa acidez e final persistente — um vinho expressivo, autêntico e com excelente relação qualidade-preço.
- Casa Valduga Storia — Um ícone estruturado: Da tradicional vinícola Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, este vinho tinto representa um dos grandes ícones do Brasil. Complexo e sofisticado, revela frutas negras, notas tostadas e excelente estrutura, com longa persistência e potencial de evolução.
