Jornal com Tecnologia

Atualização e mudança para o Cloudflare: associação de provedores explica como o X voltou a funcionar

Mesmo bloqueado no país por decisão judicial, aplicativo voltou a operar nesta terça-feira

Mesmo bloqueado no país por decisão judicial, aplicativo voltou a operar nesta terça-feira
Mesmo bloqueado no país por decisão judicial, aplicativo voltou a operar nesta terça-feira Foto : Mauro Pimentel / AFP / CP

Usuários brasileiros do X foram surpreendidos, na noite dessa terça-feira, 17, com a volta do funcionamento do aplicativo, que está bloqueado por ordem judicial no país. O retorno ocorreu apenas no aplicativo, tanto na versão Android, quanto na versão iOS. Quem tenta acessar por meio de navegadores como Google Chrome e Safari, e quem deletou a aplicação e tenta baixar novamente não consegue acesso.

A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) emitiu uma nota nesta quarta-feira explicando a mudança que permitiu que usuários da internet no Brasil voltassem a acessar o X.

De acordo com a Abrint, uma atualização no aplicativo alterou significativamente sua estrutura. “O novo software começou a operar de maneira diferente, agora utilizando endereços de IP vinculados ao serviço Cloudflare”, diz a nota.

“A mudança para o Cloudflare torna o bloqueio do aplicativo muito mais complicado”, diz a entidade. O texto explica que o sistema anterior usava IPs específicos e passíveis de bloqueio, enquanto o novo utiliza IPs dinâmicos, que mudam constantemente. “Muitos desses IPs são compartilhados com outros serviços legítimos, como bancos e grandes plataformas de internet, tornando impossível bloquear um IP sem afetar outros serviços”, complementa.

A Abrint tem atuação nacional e representa provedores regionais de internet em discussões junto ao governo, órgãos reguladores e entidades afins. De acordo com a Abrint, os provedores são majoritariamente empresas de pequeno e médio portes. Segundo a Anatel, há pelo menos um provedor em operação em todas as cidades do país e mais de 50% do mercado nacional de fibra óptica até os domicílios brasileiros vêm dos pequenos provedores.

O que é o Cloudflare?

De acordo com a nota, Cloudflare é um proxy reverso em nuvem, que é utilizado por empresas para ampliar a segurança e a performance de seus serviços online. No caso do X, o Cloudflare permite uma resistência maior contra os bloqueios, já que os IPs estão constantemente mudando e sendo compartilhados por diversos serviços, dificultando uma ação direta de bloqueio por parte dos provedores de internet.

A associação afirma que a situação deixa os provedores de internet “em uma posição delicada” e que as empresas aguardam instruções da Anatel, já que um bloqueio equivocado poderia afetar empresas legítimas.