O diretor-executivo do Instagram, Adam Mosseri, rejeitou nesta quarta-feira (11) a tese de que as redes sociais causem "dependência clínica". Durante depoimento no processo que envolve a Meta e o Google nos EUA, o executivo classificou o comportamento compulsivo de menores como "uso problemático", comparando-o ao hábito de maratonar séries.
O julgamento busca determinar se as plataformas foram deliberadamente projetadas para viciar crianças e adolescentes, priorizando o engajamento em detrimento da saúde mental.
Algoritmos no banco dos réus
A ação foca no caso de Kaley G. M., de 20 anos, que alega danos mentais graves após anos de exposição contínua ao YouTube e Instagram. Diferente de outros processos, o foco aqui não é o conteúdo das postagens, protegido pela legislação americana, mas sim os algoritmos de personalização e funções que fomentam a visualização ininterrupta.
Enquanto a defesa da Meta atribui os problemas da jovem a questões familiares, Mosseri afirmou que garantir a segurança de menores é benéfico para o lucro das empresas a longo prazo.
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Filtros estéticos e concorrência com TikTok
Durante o interrogatório, Mosseri foi confrontado com e-mails internos sobre a decisão de Mark Zuckerberg de manter filtros de alteração estética no Instagram em 2020. Documentos revelam que a diretoria estava ciente dos riscos à autoestima de jovens, mas optou pela manutenção do recurso para não perder mercado para o TikTok. Mosseri defendeu a medida, afirmando que a empresa buscou um equilíbrio entre proteção e liberdade de expressão, evitando a censura excessiva.
O julgamento, com previsão de encerramento em 20 de março, servirá de jurisprudência para dezenas de processos semelhantes. Mark Zuckerberg e o chefe do YouTube, Neil Mohan, devem depor na próxima semana. Paralelamente, a Meta enfrenta outro julgamento no Novo México por suposta negligência na proteção de menores contra predadores sexuais. TikTok e Snapchat, inicialmente incluídos na ação atual, fecharam acordos confidenciais e não foram a julgamento.