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Em meio a desafios na proteção às mulheres, tecnologia busca ampliar rede de apoio no RS

No South Summit 2026, painel destaca uso de dados para orientar políticas públicas e atendimento

Estado enfrenta aumento no número de casos de violência contra a mulher
Estado enfrenta aumento no número de casos de violência contra a mulher Foto : Caroline Souza/Especial CP

A tecnologia vem ganhando espaço como ferramenta de apoio no enfrentamento à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul em meio ao número crescente de casos de abusos e feminicídios.

Um dos painéis do South Summit Brazil 2026, nesta quinta-feira, 26, apresentou como o uso de dados e sistemas digitais pode contribuir para estruturar políticas públicas e ampliar o acesso à rede de proteção.

A programação destacou o Painel da Rede de Proteção à Mulher, plataforma desenvolvida no Estado para reunir, organizar e disponibilizar informações sobre serviços de acolhimento.

Como a ferramenta foi criada

A ferramenta centraliza dados de delegacias especializadas, centros de referência e unidades de saúde, utilizando geolocalização para indicar os pontos mais próximos e orientar o acesso a rotas e contatos de emergência.

A construção do sistema foi detalhada por Maria do Socorro Barbosa, da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão. Segundo ela, o desenvolvimento do painel ocorreu em três etapas principais:

  • Coleta das informações: levantamento de dados em bases públicas e junto a órgãos parceiros sobre serviços de atendimento às mulheres;
  • Geolocalização: organização dos endereços com atribuição de coordenadas geográficas para visualização em mapas;
  • Disponibilização no painel: estruturação final dos dados em uma plataforma digital aberta, com sistema de busca e visualização para consulta pública.

Durante o painel, a delegada e Secretária Adjunta da Secretaria da Mulher do RS, Viviane Viegas ressaltou o papel da informação na articulação das políticas públicas. “Nós não conseguimos trabalhar articulação de rede se nós não trabalharmos informação”, afirmou.

Segundo ela, a proposta é dimensionar a rede de atendimento de forma a alcançar todo o território estadual, considerando as especificidades de cada região.

Viviane também destacou que a tecnologia atua como elemento de integração entre os diferentes serviços. “A rede existe. A gente precisa de um elo condutor para que o Estado tenha essa informação e possa produzir políticas públicas”, disse. Para a delegada, o uso de dados permite organizar e dar visibilidade a essa estrutura já existente.

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Outro ponto abordado foi a possibilidade de acompanhamento dos atendimentos ao longo da rede, conectando áreas como segurança, saúde e assistência social.

A integração das informações contribui para a continuidade do cuidado e para uma visão mais ampla dos serviços disponíveis nos 497 municípios do Estado.

Além disso, o cruzamento de dados pode auxiliar na identificação de padrões e no planejamento de ações preventivas.

Conforme destacado no painel, atendimentos na área da saúde muitas vezes representam um primeiro ponto de contato antes do registro formal da ocorrência, o que pode contribuir para orientar estratégias de prevenção.

Na etapa de acesso, o painel permite a busca por serviços em um raio de até 50 quilômetros e integra canais digitais, como aplicativos de mensagens, para facilitar o contato com a rede de apoio.