Jornal com Tecnologia

“Florestas de algodão” viram estratégia de moda sustentável

Plantio que simula uma floresta para produzir matéria-prima da indústria da moda foi um dos cases apresentados no South Summit Brazil 2026

No South Summit 2026, a Renner detalha o impacto do algodão agroflorestal com dados da Baixada Cuiabana (MT)
No South Summit 2026, a Renner detalha o impacto do algodão agroflorestal com dados da Baixada Cuiabana (MT)

Os dados do projeto Florestas de Algodão não deixam dúvida: a sustentabilidade no campo é o melhor negócio. Entre 2023 e 2024, 63% das famílias agricultoras que participam da iniciativa na Baixada Cuiabana (MT) dobraram sua renda anual. Mais do que um ganho social, o projeto registrou um salto de 163% na presença de microrganismos que "limpam" o planeta ao sequestrar carbono no solo, provando que é possível produzir fibra têxtil recuperando a natureza.

A iniciativa, apresentada pela Renner no South Summit Brazil 2026, vai além da rentabilidade. Em média, o projeto conseguiu sequestrar 18,37 toneladas de CO₂ por hectare. O modelo substituiu a monocultura tradicional pelo sistema agroflorestal, onde o algodão convive com uma média de 238 árvores por hectare, entre espécies nativas, frutíferas e madeireiras. Essa dinâmica "imita a floresta", aumentando a produtividade e a biodiversidade microbiológica das áreas cultivadas em 38%.

Para a gerente de sustentabilidade da marca, Bruna Villa Todeschini, a estratégia é clara: redesenhar o varejo a partir da base. Em parceria com a startup FarFarm e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Renner utiliza o projeto para fortalecer sua cadeia fornecedora com agricultura regenerativa. Reconhecida anteriormente na COP-30, em Belém, a iniciativa consolida a posição da varejista como referência global, sendo a segunda mais sustentável do mundo no ranking da revista Time e líder em transparência no setor.

Veja Também

Novo modelo de varejo

O impacto do Florestas de Algodão vai além dos números expressivos de rentabilidade e solo. Durante o painel "Moda, Impacto e Estratégia", no South Summit, ficou claro que o projeto é o alicerce para um novo modelo de varejo. Ao integrar espécies frutíferas e nativas ao cultivo da fibra, a iniciativa cria uma barreira natural contra pragas, reduzindo drasticamente a dependência de agrotóxicos e o consumo de água.

“A gente imita como se fosse uma floresta”, resumiu Bruna Villa Todeschini. Essa "mimetização" da natureza não só protege o bioma do Cerrado, como garante resiliência financeira para as dez famílias impactadas diretamente na Baixada Cuiabana.

A conversa no palco do evento contou ainda com a participação de Érica Maciel (Azzas 2154) e Giuliano Capeletti (Mercado Net Zero), reforçando que a rastreabilidade e a transparência são os próximos passos obrigatórios para o setor.

Matéria-prima mais usada na moda

O algodão, uma das matérias-primas mais usadas na moda, costuma ser produzido em sistemas de monocultura. Cultivá-lo em sistema agroflorestal vai ao encontro das discussões das COPs, focadas na redução da emissão de gases de efeito estufa e na recuperação de áreas com árvores nativas. Diferente da monocultura, a agrofloresta mistura árvores nativas do bioma com as plantas cultivadas, como o algodão.

O impacto em números do projeto:

  • Biodiversidade: Alta de 38% na biodiversidade microbiológica sequestradora de carbono (análise da UFMT).
  • Renda: 63% das famílias agricultoras (de um total de 10 impactadas) dobraram sua renda anual entre 2023 e 2024.
  • Solo Vivo: Ganho de 163% na presença de microrganismos sequestradores de carbono.
  • Densidade: Média de 238 árvores por hectare, incluindo espécies frutíferas, madeireiras e nativas.