Esqueça Super Mario, Sonic ou Zelda. Em vez de encanadores, porcos-espinhos ou princesas de reinos imaginários, o personagem da vez nos games está mais perto do que se imagina. Com lançamento previsto para o dia 16 de julho, “Gaucho and Grassland” é um jogo produzido pelo estúdio brasileiro Epopeia Games, que leva para os videogames a cultura gaúcha, em um ambiente inspirado na obra do escritor Simões Lopes Neto.
Em termos estruturais, pode ser tanto uma aventura como um jogo de simulação, ao estilo “cuide de sua fazendinha”, um gênero de bastante sucesso nos últimos anos. E que, claro, conta com muitos elementos desses pagos. “Se tem? Bah e tchê é o que mais tem”, brinca Pedro Gabriel, um dos sócios da empresa.
O projeto do game teve início há tempos, em 2016, quando os sócios da empresa, que já tinham experiência em outros projetos, resolveram dar um passo além em um trabalho de escopo maior. ]
“Entrou meio que junto a ideia de fazer um jogo de adventure com a cultura gaúcha como base, a partir do livro ‘Contos Gauchescos’, do Simões Lopes Neto. A gente queria trazer algo que fosse do nosso domínio e notava em conversas com outras publishers e investidores o quanto culturas de outros lugares, não muito saturadas, estavam sendo bastante requisitadas pelo público”, explica Pedro.
Daí para o lançamento, como se percebe, não foi de uma hora para outra. Primeiro porque os próprios realizadores perceberam que, naquele momento, talvez não conseguissem colocar em prática o que estava planejado. A ideia ficou guardada um tempo e saiu da gaveta em meados de 2021, a partir de um edital da Secretaria de Cultura do RS.
“Só que neste período, já havíamos amadurecido em produção, time, capacidade técnica. Já tínhamos um estudo de mercado e aí adaptamos o projeto”, lembra Pedro. Foi quando o “Gaucho” passou a ser não apenas um adventure game como também um farming simulator, ou seja, um simulador de fazendinha. A contrapartida para o edital será a distribuição do jogo em escolas gaúchas. “Usar o jogo como forma de trazer a atenção do aluno para a nossa história pode ser interessante”, observa Pedro.
Gaucho and the Grassland
A história em si de “Gaucho and the Grassland” mistura realidade e um mundo místico. “Gaucho”, o protagonista, precisa coletar itens para a construção de sua fazenda. Em paralelo, há uma trama na qual o personagem precisa ajudar no reequilíbrio de biomas, afetados a partir do momento que os guardiões não conseguem executar suas funções. É neste cenário que vão aparecer figuras conhecidas do nosso folclore como Negrinho do Pastoreio e Boitatá – ainda que não exatamente com estes nomes.
Além da área da fazenda, o jogo conta com três biomas que vão sendo desbloqueados à medida que se avança na história. Todos fazem referência a ecossistemas do Rio Grande do Sul como praia, serra e pampa: Costa da Lagoa, Pico das Hortênsias e Pampas Verdejantes. Há também inúmeras possibilidades de personalização dos personagens. E se o jogador pode escolher o chapéu, lenço, guaiaca e botas do “Gaucho”, a customização também acontece para Cusco, o fiel escudeiro cachorro.
Apesar de todas as menções evidentes ao Estado, o nome Rio Grande do Sul não aparece no gameplay e na história.
“São referências porque eles precisam ser mais universais neste aspecto. Então a gente prefere contextualizar do que simplesmente expor”, explica Pedro Gabriel.
Neste primeiro momento, a partir de 16 de julho, o game será disponibilizado na Steam, plataforma para jogos de computador. Há planos de expansão para outras plataformas como os consoles Playstation, Xbox e Switch, mas o estúdio prefere não determinar uma data por enquanto.
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