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IA e visão computacional têm combatido fraudes e deepfakes, aponta especialista

Modelos atuais conseguem identificar não apenas objetos, mas também sinais de manipulação visual

IA tem auxiliado no combate a fraudes no ambiente digital
IA tem auxiliado no combate a fraudes no ambiente digital Foto : Cecília Bastos / USP Imagens / CP

A capacidade de ensinar máquinas a interpretar imagens, reconhecer padrões e identificar anomalias tem impulsionado uma nova geração de aplicações em segurança digital, finanças e saúde.

Conhecida como visão computacional, essa tecnologia permite que sistemas de Inteligência Artificial analisem vídeos e fotos com um nível de detalhamento que frequentemente supera a percepção humana. Isso amplia significativamente a detecção de fraudes e padrões de risco.

A evolução do aprendizado de máquina

Segundo Camilo Girardelli, especialista e membro do IEEE, a evolução dos modelos de IA, especialmente o deep learning, ampliou o alcance dessas ferramentas. “A visão computacional ensina a máquina a interpretar o mundo visual, assim como um bebê aprende a reconhecer rostos”, explica.

Diferentemente dos sistemas antigos, que apenas liam placas ou códigos, os modelos atuais aprendem continuamente. Isso permite identificar não apenas objetos, mas também comportamentos e sinais sutis de manipulação visual.

Análise pixel por pixel contra fraudes

O avanço é vital no combate a fraudes financeiras e documentais. Em sistemas de verificação de identidade, os algoritmos examinam imagens em nível microscópico.

“Esses sistemas procuram micro-inconsistências, como diferenças de compressão e alterações de textura, que revelam adulterações imperceptíveis ao olho humano”, afirma Girardelli.

Além da imagem, a IA cruza dados comportamentais em tempo real. Em transações financeiras, o sistema identifica rapidamente quando um horário ou local de acesso foge do padrão histórico do cliente, agindo em segundos.

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O desafio dos deepfakes

Apesar do progresso, a sofisticação de conteúdos manipulados, como os deepfakes, criou uma verdadeira corrida armamentista tecnológica.

“Existe uma disputa constante entre quem cria métodos de manipulação e quem desenvolve ferramentas para identificá-los”, observa o especialista. À medida que os vídeos sintéticos evoluem, os sistemas de detecção precisam se tornar ainda mais sensíveis.

Ética e o futuro da tecnologia

Para além da segurança, a visão computacional já ajuda médicos a diagnosticarem doenças precocemente através de exames de imagem. No entanto, esse avanço traz debates sobre ética, privacidade e a transparência dos algoritmos.

Para Girardelli, os desafios centrais são:

  • O limite entre monitoramento e privacidade;
  • Os riscos de viés algorítmico;
  • A falta de transparência sobre como as máquinas tomam decisões (a "caixa-preta" da IA).

“O grande desafio é garantir que esses sistemas sejam utilizados de forma responsável e alinhada aos valores da sociedade”, conclui.