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Liderança é decisiva para transformar eficiência da IA em prosperidade, diz especialista no South Summit

Para Alexandre Del Rey, a discussão sobre transformação digital precisa considerar, antes de tudo, o comportamento humano

Segundo o especialista, a inteligência artificial não atua de forma neutra e pode intensificar padrões já existentes dentro das organizações
Segundo o especialista, a inteligência artificial não atua de forma neutra e pode intensificar padrões já existentes dentro das organizações Foto : Caroline Souza/Especial CP

Em um cenário de avanços acelerados da inteligência artificial, o papel da liderança foi apontado como elemento central para garantir que ganhos de eficiência se convertam em prosperidade real.

O tema foi debatido pelo fundador da I2AI, a Associação Internacional de Inteligência Artificial, Alexandre Del Rey durante o South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre.

Segundo o especialista, a inteligência artificial não atua de forma neutra e pode intensificar padrões já existentes dentro das organizações, sejam eles positivos ou problemáticos.

“A inteligência artificial é um grande amplificador, ela é um acelerador. Ela não garante boas decisões, ela amplifica as decisões organizacionais”, afirmou.

Diante desse cenário, Del Rey ressaltou a necessidade de condução estratégica no uso da tecnologia, especialmente em ambientes corporativos cada vez mais complexos.

“A liderança tem um papel fundamental para que essa eficiência se transforme em prosperidade”, disse.

Para ele, a discussão sobre transformação digital precisa ir além da tecnologia e considerar, sobretudo, o comportamento humano.

Os “quatro cavaleiros” da saúde mental

No centro da análise apresentada no evento, Del Rey apontou impactos diretos da transformação digital sobre o comportamento humano.

Ele classificou esses efeitos como os “quatro cavaleiros” do contexto atual, ou seja, desafios que exigem atuação direta da liderança.

  • Ansiedade: provocada pelo excesso de informação, pressão por adaptação constante e sensação de urgência. Cabe ao líder sintetizar cenários, comunicar com clareza e definir prioridades.
  • Medo: relacionado à substituição por tecnologia e à perda de relevância. A liderança deve promover entendimento sobre o uso complementar da IA e investir em governança.
  • Solidão: resultado de interações cada vez mais mediadas por plataformas digitais, com perda de vínculos reais. O caminho, segundo ele, é fortalecer relações, soft skills e senso de pertencimento.
  • Preguiça cognitiva: associada à dependência de algoritmos para decisões, o que pode reduzir a capacidade de reflexão. “O fato de ter essa conveniência de algoritmos faz com que haja o incentivo de abandonar o pensar”, alertou.

Para enfrentar esse último ponto, o especialista propôs a criação de uma “academia mental” dentro das organizações, com estímulo contínuo ao pensamento crítico e à autonomia intelectual.

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Liderança deve ter propósito

Diante de um ambiente cada vez mais complexo, Del Rey definiu o líder como um “orquestrador”, responsável por equilibrar tecnologia e fator humano. Isso envolve criar ambientes de confiança, estimular conexões reais e garantir que a inovação esteja alinhada a valores éticos.

Ao final, o especialista sintetizou o desafio imposto pela nova era digital: mais do que máquinas mais inteligentes, será necessário desenvolver humanos melhores. “Em uma era de máquinas inteligentes, nós vamos precisar de uma nova base, uma nova métrica para nós humanos”, concluiu.