A transparência das marcas tem se consolidado como um dos fatores que impulsionam o crescimento global da moda circular, que avança cerca de 10% ao ano. A sustentabilidade aparece entre os principais critérios de decisão de compra, especialmente em um cenário em que consumidores passam a valorizar práticas ambientais concretas e verificáveis.
Esse movimento esteve no centro do painel “Circular por design: Repensando o futuro da moda”, realizado no segundo dia do South Summit Brazil, em Porto Alegre. Mediado por Daniela Giffoni, diretora do Impact Hub POA, o debate reuniu Juliana Maffei Frasca, diretora de estilo das Lojas Renner, e Luiza Nolasco, sócia-fundadora da Gringa e gerente geral da plataforma Start by WGSN.
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Durante a discussão, dados de mercado reforçaram a mudança de comportamento do consumidor. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizada em 2024 com mil brasileiros, mostra que 58% consideram importantes os selos e certificações socioambientais: um indicativo de que o consumo consciente está diretamente ligado à redução de impactos ambientais e ao uso responsável de recursos naturais.
A percepção de compromisso ambiental tem impacto direto na relação entre marcas e consumidores. Quando identificam práticas consistentes, os compradores tendem a estabelecer vínculos de confiança com empresas alinhadas à moda circular, como aponta o estudo Addressing the Empathy Gap, da Zurich Insurance Group.
A dimensão da empatia reforça esse cenário. Em levantamento da CNC com 11 mil entrevistados em 11 países, 86% dos brasileiros afirmam considerar importante que empresas demonstrem preocupação com causas sociais e ambientais, fatores que aparecem entre os principais sinais de confiança reconhecidos pelo público.
No painel, a transparência foi associada menos ao discurso e mais à prática. Para Luiza Nolasco, a aproximação com o consumidor, ao ouvir demandas e incorporar preocupações ambientais, é um dos pilares da moda circular. Segundo ela, esse movimento passa por mudanças estruturais, como a gestão de resíduos nos processos produtivos e a ampliação da diversidade dentro das empresas.
“O mercado da economia circular é uma grande oportunidade”, afirmou. Ao Correio do Povo, Luiza destacou que o avanço do segmento tem forte influência das novas gerações, especialmente millennials e a Geração Z, com protagonismo no ambiente digital. “É um movimento impulsionado por quem já chega ao consumo com outro nível de exigência”, disse.
*Sob supervisão de Lisiane Mossmann