Jornal com Tecnologia

O que é gêmeo digital da Terra e como ele pode prever tragédias climáticas

Especialista do IEEE explica por que a tecnologia é considerada complexa e cara

Especialista do IEEE explica por que a tecnologia é considerada complexa e cara
Especialista do IEEE explica por que a tecnologia é considerada complexa e cara Foto : Futurecom / Divulgação / CP

A tecnologia de gêmeos digitais (GD) têm se mostrado eficiente para otimizar e evitar falhas em diversas áreas de atividades humanas, como saúde, transporte e indústria. A representação virtual de um objeto, sistema ou processo tem sido um grande aliado de empresas e autoridades na tomada de decisões mais assertivas.

Um dos campos em desenvolvimento é o gêmeo digital da Terra. Com ele é possível analisar fenômenos naturais e humanos, como mudanças climáticas e fenômenos meteorológicos por meio da representação virtual do planeta.

O gêmeo digital da Terra é uma tecnologia complexa e ainda em estudo, lembra Cristiane Pimentel, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e integrante do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). No entanto, ela já é usada nos Estados Unidos (se chama Advanced Information Systems Technology (AIST)) por meio da NASA e tem ajudado na previsão e no cálculo de magnitude de furacões e terremotos, por exemplo.

“Baseado no estudo dessas imagens das temperaturas, de latitude, longitude, é que se pode fazer estudos baseado em aprendizagem de máquina naquelas informações, onde pode acontecer desastres naturais”, afirma.

O assunto foi abordado pela docente durante um painel sobre gêmeo digital durante a Futurecom 2024, uma das maiores feiras de tecnologia da América Latina. O evento ocorreu em outubro em São Paulo.

Veja Também

Na União Europeia foi implementado o Copernicus, nome que homenageia o cientista Nicolau Copérnico. Por meio da observação de dados da Terra por satélite e in-situ, autoridades públicas e outras organizações internacionais fazem tomadas de decisões. O sistema integra vasta quantidade de dados globais de satélites e sistemas de medição terrestres, aéreos e marítimos.

Nos Estados Unidos, a ferramenta já vem sendo aplicada no agronegócio, para auxiliar na tomada de decisões sobre plantios, prevendo desastres climáticos. Tendo a previsão dos fenômenos, o agricultor pode medir os estragos e tomar decisões de mitigação dos efeitos.

Complexo e caro

Implementar um sistema desses é caro e complexo, até mais complexo do que caro, ressalta Cristiane. “Isso porque você precisa lidar com várias imagens que são geradas por sistemas diferentes, com linguagem de modelamento matemático diferentes. Quando você lida com imagens, são imagens geradas por vários sistemas diferentes”, explica a especialista destacando que lidar com esse tipo de informação também requer uma assertividade muito grande dos traçados.

Esse tipo de tecnologia requer supercomputadores, além de velocidade de internet e capacidade de armazenamento muito alta.