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Risco de ciberataques deve se intensificar durante a Copa do Mundo de 2026, aponta especialista

Durante grandes eventos esportivos, volume de ataques chega a ser dez vezes superior à média histórica, segundo levantamento do setor

Brasil pode sofrer impactos indiretos mesmo sem sediar partidas
Brasil pode sofrer impactos indiretos mesmo sem sediar partidas Foto : Sora Shimazaki / Pexels / CP

A contagem regressiva para a Copa do Mundo 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, já começou. Enquanto seleções e torcedores se preparam para o maior evento esportivo do planeta, outro movimento ocorre nos bastidores: o avanço de ciberataques estruturados que tendem a acompanhar e explorar a visibilidade global do torneio.

Grandes eventos internacionais deixaram de ser apenas acontecimentos esportivos e passaram a figurar como marcos previsíveis no calendário de cibercriminosos. A experiência recente de eventos globais mostra que as ofensivas não são aleatórias, mas coordenadas com precisão, começando semanas ou meses antes da abertura e se intensificando durante os momentos de maior audiência, segundo a empresa de cibersegurança NETSCOUT.

“O Mundial é uma vitrine global não só para os países-sede, mas para toda a infraestrutura digital que sustenta o evento, incluindo redes, plataformas e parceiros em diferentes países. O Brasil, mesmo fora da sede em 2026, está inserido nesse ecossistema e pode sofrer impactos indiretos relevantes, especialmente em setores altamente conectados”, afirma Geraldo Guazzelli, diretor-geral da NETSCOUT no Brasil.

Embora o torneio comece em junho de 2026, a empresa aponta que os ataques associados a grandes eventos têm início meses antes, ainda em fases de reconhecimento e teste. Nesse período, agentes maliciosos tendem a mapear vulnerabilidades em infraestruturas críticas como provedores de internet, plataformas de streaming, redes de telecomunicações, sistemas de pagamento e serviços públicos essenciais, entre eles energia e transporte.

Conforme analisado pela NETSCOUT, durante grandes eventos, o volume de ataques pode atingir níveis até dez vezes superiores à média histórica. Também se observa uma mudança no perfil das ofensivas: sai o foco exclusivo em volume massivo e entra uma estratégia combinada, baseada em persistência, múltiplos vetores e exaustão de recursos.

Na prática, as organizações precisam estar preparadas não apenas para picos extremos de tráfego, mas para investidas contínuas e mais sofisticadas, capazes de comprometer operações ao longo do tempo.

Os principais alvos seguem um padrão estratégico, voltado para infraestruturas críticas e serviços essenciais à operação do torneio e à experiência do usuário, como telecomunicações, sistemas financeiros, transporte, plataformas digitais e órgãos governamentais. Para o Brasil, o alerta é direto: setores estratégicos, altamente digitalizados e conectados a cadeias globais podem ser impactados mesmo sem sediar partidas.

“O que vemos hoje é uma evolução no comportamento dos ataques. Eles estão mais inteligentes, distribuídos e persistentes. Não se trata apenas de derrubar sistemas, mas de pressionar operações ao longo do tempo, explorando fragilidades específicas. Isso exige uma abordagem contínua de monitoramento e resposta”, explica Guazzelli.

Outro fator que amplia o cenário de risco é o papel crescente de grupos organizados e hacktivistas, como o NoName057(16), que utilizam eventos de grande visibilidade para potencializar o impacto de suas ações. As investidas nem sempre têm motivação financeira direta e costumam estar associadas a agendas políticas, ideológicas ou geopolíticas, o que torna o ambiente ainda mais complexo e imprevisível.

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Se, por um lado, a Copa do Mundo eleva o nível de exposição, por outro também representa uma oportunidade de avanço estrutural. Especialistas apontam que o momento é estratégico para acelerar investimentos em ciber-resiliência, ampliar a visibilidade de rede, adotar soluções baseadas em inteligência artificial e fortalecer a integração entre setores público e privado para o compartilhamento de inteligência de ameaças.

“A principal lição dos últimos anos é que esses ataques são previsíveis. E, justamente por isso, podem e devem ser antecipados. As organizações que se prepararem agora terão mais capacidade de garantir continuidade operacional em um cenário de alta pressão”, reforça Guazzelli.

Com a aproximação do evento, empresas e instituições brasileiras têm uma janela crítica para revisar estratégias de proteção, fortalecer defesas e elevar o nível de maturidade em cibersegurança. “Quando o mundo inteiro está olhando, a resiliência digital deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito básico para qualquer organização”, conclui.