Na manhã desta terça-feira, o serviço de nuvem do Cloudflare apresentou problemas que causaram uma instabilidade generalizada em diversas páginas e sites mundo afora. A falha prejudicou bancos brasileiros, incluindo o Banco do Brasil, a rede social X, o ChatGPT e a Amazon Web Services (AWS), entre outros.
A empresa tem base nos Estados Unidos e foi fundada em 2009. Em seu site, informa que opera hoje uma das maiores e mais rápidas redes do mundo. É especializada em infraestrutura da internet e oferece serviços de segurança, performance e confiabilidade para sites e aplicativos. Na prática, o Cloudflare opera como um intermediário entre o servidor do site e o navegador do usuário.
De acordo com a empresa, o problema foi resolvido no fim da manhã. "Acreditamos que está resolvido e continuamos a monitorar erros para garantir que todos os serviços voltem ao normal", disse, em nota publicada às 11h42 (de Brasília).
As causas da falha ainda não foram detalhadas pela empresa, que informou apenas um pico de tráfego inesperado, ou seja, um aumento repentino que não estava nas previsões. No mês passado, uma falha na AWS, empresa da Amazon, que presta serviços semelhantes, também causou em impactos em diversos sites.
Serviços centralizados em poucos servidores
O tamanho do impacto causado por uma falha em uma única empresa está diretamente ligado à grande concentração dos serviços de infraestrutura em nuvem em poucas empresas, explica o professor Jéferson Campos Nobre, do Instituto de Informática da Ufrgs.
“Esse tipo de problema pode acontecer com alguma frequência. Como hoje os serviços de internet em nuvem são centralizados em poucos provedores de infraestrutura em nuvem, quando acontece um problema em um desses, vemos diversos serviços parando de funcionar. Mesmo que as empresas, por exemplo, troquem de provedor, também pode acontecer problema parecido”, explica Nobre.
Uma alternativa, para mitigar os impactos de eventuais falhas é distribuir sua infraestrutura em mais de um provedor. No entanto, a estratégia eleva os custos e aumenta a complexidade do gerenciamento.
- Telefone fixo está de volta? Conheça a alternativa para tirar crianças das telas
- TV aberta supera bem o streaming na preferência dos brasileiros fãs de futebol, diz pesquisa
- IA com intervenção humana mínima chega ao mercado em massa em 2026, prevê estudo
“Usuário final não tem como evitar o uso”
Para o usuário final, não há muito o que fazer nestes casos. “Nós não usamos diretamente o serviço da Cloudflare. Nós utilizamos serviços de outras empresas e essas empresas usam o serviço dela. O usuário final não tem como evitar o uso”.
O professor destaca que, além dos serviços de nuvem, a empresa oferece também serviços de segurança, protegendo redes e infraestrutura de outras empresas contra ataques virtuais.
“Isso demonstra o quanto essa empresa é fundamental no contexto da internet global. Então, o impacto de uma falha em uma empresa como esta, e é também o caso da AWS, gera uma disrupção muito grande na internet”, conclui.