A relevância dos hubs de inovação para o impulsionamento de ecossistemas de negócios foi o tema de um painel nesta sexta-feira, no palco The Next Big Thing, no South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre. Conduzida por Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira, Gil Azevedo, diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa, e Conrado Morais, COO da Mana Tech, hub de startups de Miami, nos Estados Unidos, a apresentação teve foco na experiência dos executivos na condução dos locais, e da importância destes para as comunidades em que estão envolvidos.
“Acho que a atividade de um hub não é o evento em si, mas o evento ajuda a construir uma cola de confiança. Para se ter uma ideia, o Caldeira fez, ao longo do ano passado, 100 atividades nossas e de parceiros, e acreditamos que tudo é sobre conexões”, salientou Valério.Conforme o gestor do hub porto-alegrense, é preciso haver também uma desmistificação de que o hub, e os novos negócios em geral, são compostos de "piscinas de bolinhas e tobogãs".
"Empresas como o Google criaram um imaginário do que acontece em um ambiente de inovação, mas vemos um amadurecimento em Lisboa, por exemplo, com um grande pragmatismo", comentou ainda ele. Azevedo, por sua vez, salientou que o governo municipal da capital portuguesa tem investido, junto com o setor privado, na estratégia de criar bairros de inovação, dos quais três já saíram do papel.
"Criamos também comunidades de inovação em áreas de elevado crescimento ou transformação, como saúde, inteligência artificial, sustentabilidade, e, desta forma, temos conseguido desenvolver um ecossistema que tem amplitude e tecnologia", comentou ele. Desta maneira, destacou, há um sentimento de pertencimento com os moradores locais, além do desenvolvimento urbano elevado. O mesmo ocorre em Miami, cujo case foi ressaltado por Morais. De acordo com ele, 73% da população da cidade norte-americana fala o espanhol, fazendo com que a localidade queira ser um hub para as Américas.
“São players que já passaram por essa jornada e sabem como suportar essas empresas para que elas ingressem no ecossistema americano. Então, é um caminho mais leve. O latino em geral e o brasileiro, quando chegam em Miami, se sentem em casa, se sentem abraçados, e isso os deixa mais seguros para poder fazer o trampolim para outros mercados americanos também”, disse ainda Morais. O diálogo também teve foco na evolução permanente para uma plataforma global integrada, focada em capturar valor e criar impacto duradouro para a sociedade.