Com o objetivo de reduzir a emissão de gases poluentes e melhorar a qualidade do serviço dos transportes, o sistema dos ônibus 100% elétricos completa quase 10 meses de operação em Porto Alegre. De acordo com o balanço da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), os 12 ônibus da frota transportavam, em nove meses (de agosto, primeiro mês de implantação, até maio, último balanço) 933.957 passageiros, em 54.768 viagens realizadas, percorrendo 484.591 quilômetros.
Atualmente, a Capital conta com três linhas 100% elétricas: E178 - Praia de Belas, E378 - Integradora e E703 - Vila Farrapos. O consórcio que opera a linha elétrica Praia de Belas é a Viva Sul, enquanto a linha Integradora pertence à Via Leste/Mais. Já a Vila Farrapos é da empresa MOB - Mobilidade em Transporte. Desde o início de junho, também foi incorporada a eletricidade na linha T7 (Nilo Peçanha / Praia de Belas), parte do chamamento público para testes por 30 dias, para fabricantes interessados em apresentar as suas tecnologias.
A pasta estima que tenha sido evitada a emissão de 644,68 toneladas de gases poluentes nocivos à saúde ou ao meio ambiente, resultantes da queima de 240.551 litros de diesel, e uma economia de combustível de R$ 716.710 aos cofres públicos.
Os passageiros que utilizam as linhas têm, ainda, direito à gratuidade na segunda passagem, caso embarcam em uma linha diferente até 30 minutos após desembarcar do ônibus elétrico.
Ônibus traz mais conforto, relatam usuários
De maneira geral, os passageiros ouvidos pelo Correio do Povo aprovam o sistema. Nas palavras da assessora Adriana Moraes de Almeida, que utiliza a linha Praia de Belas, os ônibus elétricos são uma “maravilha”. Na sua opinião, deveria haver aumento das linhas. "É gritante a diferença [entre os ônibus convencionais]. O barulho, o conforto. Só o fato de ter um ar-condicionado já é melhor. Os bancos são melhores, o espaço também é maior. E o silêncio, claro", diz.
A aposentada Eneida Tatsch, de 64 anos, pega a linha 178. “É bem agradável porque são novos. São limpinhos, não são barulhentos. As portas são melhores, parece que o ônibus quando estaciona, ele dá uma baixada pra gente descer, auxilia para pessoas mais velhas. Acho que é bem agradável. Para andar é mais confortável”, relata. Para ela, a frota também deveria aumentar. “Quanto menos ônibus estiver circulando largando fumaça e outras coisas que eu nem sei que polui todo o ar com eles. Acho melhor. Seria bem bom para o ar que a gente respira e para a cidade, que já é bem poluída”, afirma.
O aplicativo Cittamobi, que traz previsão de passagem, foi motivo de reclamação por alguns passageiros, que relataram ter dificuldade para acessar o aplicativo. A reportagem presenciou uma passageira tentando conectar a previsão do aplicativo por meio de QR code, em que aparece a informação de que não há nenhuma previsão disponível no momento.
O técnico de informática Gabriel Lemos, de 32 anos, enxerga os ônibus como benéficos porque nunca presenciou um estrago, como acontece com frequência nos ônibus convencionais, e que não atrasa nem faz barulho. Porém, traz questionamentos quanto aos benefícios da bateria utilizada nos veículos.
“Não sei a que ponto vai interferir no meio ambiente, por ser uma bateria que usa muitos recursos para ser criada. Tem tipos de componentes que a produção dela agride mais o meio ambiente do que a gasolina. Não sei o quanto estão sendo benéficos. Mas no uso geral, ele é bom”, ele diz. "Eles conseguiram sanar uma parte do problema, que é a emissão de gases do efeito estufa, mas não sei até que ponto isso vai ser tão benéfico", complementa.
A diretora de transportes da SMMU, Maria Cristina Molina Ladeira, justificou que o projeto foi implantado na Capital considerando o seu ganho ambiental e a contribuição da cidade na sustentabilidade. Ainda que a bateria pode ser reaproveitada e que tem uma perda pequena e maior durabilidade, também podendo ser carregada enquanto o veículo trafega. Segundo a diretora, o projeto piloto se baseia em estudos feitos em outras cidades brasileiras, e, também, no exterior. "Essas linhas também operam nos terminais da área central, e podem contribuir bastante com relação à redução de poluição na região".
Ela afirma que os quase 10 meses de projeto piloto têm uma avaliação positiva. “Nossa avaliação é que é um sistema robusto, e ele traz muitos benefícios para a população diretamente envolvida nas linhas e também da população em geral, uma vez que é um ônibus que não há poluição”. E acrescenta: “Temos a questão do próprio veículo em si, que é um veículo mais silencioso, tem um conforto térmico muito bom, tem piso baixo, então, ao adentrar ao veículo, não tem aquelas escadas para o usuário subir no ônibus. Têm o Wi-Fi gratuito, além da entrada do USB para que o passageiro possa carregar seu celular tranquilamente”.
O projeto-piloto de eletrificação da frota do transporte coletivo entrou em operação através do modo de subvenção econômica, que reduz os impactos financeiros relacionados à remuneração e à depreciação de capital. O investimento para os 12 ônibus, mais as três estações de recarga totalizam R$ 38 milhões.
Projeto para nova frota
A projeção da Secretaria de Mobilidade Urbana é acrescentar, a título de teste, mais ônibus elétricos no ano que vem, mas ainda sem definição de quantos. A diretora Maria Cristina ainda reforça que há projetos para aumento da frota em mais 100 veículos elétricos na Capital. A prefeitura, por meio da SMMU, submeteu o projeto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal de financiamento, já aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em 2023, foi aberto um chamamento público para que fabricantes de ônibus elétricos, brasileiros ou estrangeiros, venham a Porto Alegre para inspecionar seus veículos, a fim de que a gente conheça a tecnologia e verifique seu potencial de operação. Já foram testadas duas empresas nacionais e uma chinesa. "Na prática, nós estamos vivenciando a operação desses carros para verificar quais são as melhores linhas, qual é a forma e a estratégia de recarga, se vamos fazer no final do dia ou uma recarga de oportunidade ao longo do itinerário, tudo isso estamos estudando", afirma Maria Cristina.
Em relação aos problemas na previsão de horários por meio do Cittamobi, a secretaria avisou que vai verificar a ocorrência, e reforçou que, em caso de problemas para utilizar o sistema, é importante que os usuários devem acionar a Central de Atendimento para o Cidadão, por meio dos números 156 ou 118.
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Ônibus elétrico em Porto Alegre