A primeira semana de junho é mundialmente dedicada ao meio ambiente, com reflexões acerca da importância da preservação da natureza. Mas um importante espaço natural em Porto Alegre, o Museu de Ciências Naturais do RS, no interior do Jardim Botânico, mantido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), vive um estado de abandono, de acordo com servidores, que não condiz com a importância da data.
“Há anos os pesquisadores e pesquisadoras relatam os problemas de negligência e descaso com a infraestrutura do museu, especialmente com as condições insustentáveis das coleções biológicas, de valor inestimável e de importância internacional”, disse o estagiário Bruno Giozza. Ele realiza no local o estágio obrigatório do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Giozza contou ser responsável pela manutenção da coleção de aracnologia, algo que, nas palavras dele, deveria ser atribuição de um técnico. Esta coleção tem mais de 150 mil espécimes, sendo uma das mais importantes do Brasil, mas está em situação crítica no museu, aberto ao público em 1955, ou seja, há 70 anos. De acordo com ele, recentemente, frascos de conservação apresentavam tampas quebradas e até espécimes com mofo, consequência da falta de um técnico responsável, segundo ele, fazendo com que outros recipientes fossem utilizados para tal.
“Estamos aos poucos recuperando esta coleção, que está sendo integralmente transferida para frascos adequados”, disse ele. Mas há inúmeros outros problemas de infraestrutura, conforme fotografias enviadas por ele. A reportagem não obteve autorização da Sema para acessar o local, com a secretaria alegando “questão de segurança” (veja nota completa da Sema abaixo).
“Desde que comecei meu trabalho, percebi muitos problemas de infiltração, que vão do terceiro andar ao térreo, goteiras nos corredores e laboratórios, ao menos dois episódios de infiltração importante na coleção seca de entomologia, que, conjuntamente com a falha dos equipamentos de ar-condicionado e desumidificadores, causaram danos expressivos nos insetos da coleção por mofo”, relatou Giozza.
Problemas de infraestrutura no Museu de Ciências Naturais do RS
As infiltrações causaram a perda de dezenas de livros, artigos científicos, equipamentos de fotografia, móveis, dentre outros, inundando três laboratórios de artrópodes. Em ao menos três ocasiões, houve vazamentos em equipamentos de ar-condicionado na coleção úmida, alagando parcialmente o piso e danificando as estantes de ferro. “Um laboratório de apoio que utilizo para meu trabalho está há meses sem eletricidade. Tenho que usar a lanterna do celular”.
Há uma obra em andamento no local, mas o estagiário disse que faltou “orientação e realocação temporária para evitar o desastre que foi na semana passada”, quando houve a perda dos materiais científicos. “Nos últimos meses, com a obra, ficou bem complicado trabalhar, (apesar de que) todos queremos que ela resolva a situação elétrica e de infiltração”. Ele completa ainda que o museu é patrimônio público dos gaúchos, “e que volte a estar em condições mínimas de infraestrutura e trabalho”.
Procurada, a Sema disse que estão em andamento “reformas e melhorias estruturais”, e negou ainda ter havido perda de acervo do Estado devido a ela. “Os servidores foram previamente informados sobre as obras e os transtornos que elas eventualmente poderiam acarretar. Além disso, o andar superior foi desocupado e os colaboradores que atuam no local foram realocados para outras salas”, disse a secretaria, acrescentando que “as obras objetivam promover melhorias estruturais, segurança e melhor experiência aos servidores e aos visitantes.”
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Confira nota completa da Sema
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura informa que o prédio do Museu de Ciências Naturais está passando por reformas e melhorias estruturais. As obras, neste primeiro momento, preveem a reforma de todo o telhado e da rede elétrica. Os servidores foram previamente informados sobre as obras e os transtornos que elas eventualmente poderiam acarretar. Além disso, o andar superior foi desocupado e os colaboradores que atuam no local foram realocados para outras salas. Não há registros de perdas de acervo do Estado devido à reforma. A Sema reforça que as obras objetivam promover melhorias estruturais, segurança e melhor experiência aos servidores e aos visitantes. Por questão de segurança, não é possível autorizar o ingresso da equipe ao local.