Cinco dias depois do Correio do Povo apontar divergências entre a medição oficial do nível do Guaíba no Cais do Porto e os dados informados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), apurados provisoriamente na Usina do Gasômetro, o governo do Estado alterou as parâmetros das cotas de alerta e inundação no Centro de Porto Alegre. A mudança ocorre no mesmo dia em que o piso do Cais secou, frente ao recuo do nível do Guaíba.
A estação Cais Mauá C6 é mantida como referência para todas as cotas de cheia, inclusive a de 1941 e as de 2023, mas as medições precisaram ser transferidas emergencialmente à Usina do Gasômetro entre os dias 2 e 3 de maio. Na noite de 2 de maio, a marca era de 3,70 metros, superando os níveis de alerta e inundação. Na manhã seguinte, os técnicos mediram 1,58 metro a mais em relação à cobertina (topo) do cais, que é de 3 metros, e fixaram a régua do Gasômetro nos mesmos 4,58 metros.
📍 Cais do Porto
— Jonathas Costa (@jonathasac) May 28, 2024
Régua utilizada para medição histórica ficou destruída@correio_dopovo pic.twitter.com/1vDNhpck9T
As cotas de cheia e inundação dos dois locais, contudo, não é a mesma. Em resposta ao Correio do Povo no dia 23 de maio, a secretaria reconheceu que sabia do problema, mas assumiu os mesmos parâmetros para os dois pontos distintos “por praticidade, e impossibilidade de melhor levantamento topográfico”.
Na ocasião, segundo o hidrólogo da Sala de Situação do RS, Pedro Camargo, a secretaria sustentou que a transposição dos dados observados na Usina do Gasômetro para a estação Cais Mauá C6 poderia “ser objeto de avaliação”, mas negou que “necessariamente incorresse em um erro”.
Em nota técnica divulgada nesta terça-feira, entretanto, a secretaria anunciou alteração nos parâmetros e, agora, estipula os valores de 3,15m para alerta e 3,60m para inundação no Centro justificando “as informações disponíveis até este momento e considerando as incertezas envolvidas e margem de segurança”.