Cidades

Apagões e clima reativam debate no RS sobre a resiliência

Situação em São Paulo traz a discussão para o Estado de como as empresas do setor estão se preparando para enfrentar temporais

Em janeiro passado, 1,3 milhão de pessoas ficou sem energia no RS
Em janeiro passado, 1,3 milhão de pessoas ficou sem energia no RS Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

Os apagões ocorridos em São Paulo e a frequência dos fenômenos climáticos em diferentes regiões do RS reavivam o debate sobre a resiliência do sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no Estado. A partir dos temporais ocorridos em janeiro deste ano, quando, no auge da crise, 1,3 milhão de gaúchos ficou no escuro, agências reguladoras, órgãos governamentais e concessionárias do setor apresentaram versões e anunciaram planos de ações para amenizar efeitos em possíveis eventos futuros.

Os cortes de energia impactam serviços essenciais – como abastecimento de água e saúde –, mobilidade urbana, comunicações e economia. Diante da gravidade do tema, o governo do Estado buscou, no início de 2024, auxílio da agência que normatiza e fiscaliza o setor em âmbito nacional. Em paralelo, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) também passou a cobrar respostas mais efetivas de CEEE Equatorial e RGE.

De acordo com o órgão de controle gaúcho, as multas aplicadas às prestadoras do serviço entre os anos de 2022 e 2024 superam os R$ 135 milhões. Por meio da assessoria de comunicação, a Agergs também afirma que atua de forma permanente na fiscalização das condições e da manutenção de redes e equipamentos de subestações, incluindo as 20 distribuidoras presentes no RS. Outra ferramenta de avaliação das concessionárias é o acompanhamento dos indicadores técnicos e comerciais, assim como as reclamações registradas pela população.

A partir das tempestades de janeiro e da situação agravada pelas enchentes de maio, a Agência estadual passou a cobrar a elaboração e o cumprimento de planos de ação por parte da CEEE Equatorial e da RGE. Atualmente, 14 municípios da área de concessão do Grupo Equatorial estão sob avaliação, sendo o foco o atendimento ofertado aos clientes. Ação semelhante será estendida a municípios de outras áreas do Estado neste ano.

No plano de ação apresentado pela CEEE, em abril, foi destacado a redução do tempo de retorno da energia e de normas mais claras para a remoção da arborização em conflito com as redes elétricas. Na época, a concessionária afirmou investimento de R$ 15 milhões em podas e campanhas de conscientização ambiental. A RGE Afirma que atua na substituição de postes de madeira e na construção de novas subestações de energia. Segundo a empresa, os investimentos no Estado somarão R$ 9,3 bilhões até 2028.

Posicionamento

Procurados pelo Correio do Povo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Grupo Equatorial não enviaram posicionamento até a publicação desta reportagem.

Veja Também