A balsa de 77 metros de comprimento arrastada pelas enchentes de maio até o canal de irrigação da propriedade rural do agricultor Edson Saccon junto ao rio Jacuí, na localidade de Passo Raso, em Triunfo, na Região Metropolitana, prossegue no mesmo local desde maio. No entanto, uma solução definitiva pode estar à vista. O proprietário do Hernave II deverá ir à Prefeitura de Triunfo para encaminhar documentos autorizando a construção de um segundo canal no entorno da embarcação ainda nesta semana.
O objetivo é ajudar a escoar a água puxada por duas bombas à plantação de arroz. Procurado pela reportagem, o proprietário não se manifestou. Atualmente, apenas um dos equipamentos está funcionando, já que o fluxo da água está parcialmente interrompido pela presença da balsa. No final de setembro, Saccon estimava em R$ 10 milhões o prejuízo até aquele momento. “A primeira estratégia neste momento é literalmente salvar a lavoura”, disse o empresário Daniel Feliciani, da Fênix Gestão de Passivos, que auxilia o produtor rural no assunto.
“Depois disto, vamos proceder com a segunda etapa, que é a notificação extrajudicial estabelecendo o prazo para retirada. A ideia é que seja removido o mais breve possível”, salientou. Nas últimas semanas, o início da preparação do solo para o plantio aumentou a preocupação na fazenda de cerca de 400 hectares. Segundo Feliciani, havia a expectativa de que as chuvas mais fortes de semanas atrás pudessem deslocar novamente a balsa, mas elas foram frustradas. Somente para a abertura do canal, o empresário estima custo entre R$ 10 mil a R$ 20 mil, a ser bancado pelo proprietário.
Uma balsa arrastada pelas águas da enchente foi parar em cima de uma propriedade rural, em Triunfo
Saccon não estava em Triunfo quando as enchentes iniciaram, mas estava em Florianópolis para um procedimento médico. Acabou permanecendo em Santa Catarina por 30 dias, devido às cheias no Rio Grande do Sul, e quando voltou, contou que a enchente de maio havia destruído metade de sua plantação. Feliciani disse que ainda havia contatado a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Prefeitura de Triunfo, a Marinha do Brasil, o Ibama e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), buscando soluções para o impasse.
O prefeito de Triunfo, Murilo Machado, disse que a Administração está acompanhando o caso e que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente esteve no local avaliando a situação. Ele afirmou também compreender que a responsabilidade da retirada é da empresa proprietária. “O município não tem equipamentos e mão de obra para realizar este tipo de serviço. Mas somos solidários com o produtor rural proprietário da área de terras e, se for necessária uma licença para nova captação de água para a lavoura, trataremos com prioridade”, destacou.
Ainda de acordo com ele, esta não foi única embarcação trazida pela enchente a ingressar em área privada em Triunfo. Já a Fepam, que em setembro disse ter recebido a denúncia, afirmou que a encaminhou à Marinha do Brasil, “que é a Autoridade Marítima responsável por garantir a salvaguarda da vida humana, a segurança da navegação e a prevenção da poluição ambiental por parte de embarcações e suas instalações, tanto no mar aberto quanto em hidrovias interiores, conforme estabelece o Art. 3º da Lei nº 9.537”, afirmou o órgão estadual.