Após a chegada da embarcação Equinox Eagle, carregando 11 mil toneladas de nitrato de potássio, ao porto de Porto Alegre, na última segunda-feira, já há a previsão da chegada de outros cinco navios que realizam a navegação de longo curso à área portuária da Capital até o final de fevereiro, de acordo com a Portos RS.
O Equinox Eagle, com bandeira das Ilhas Cayman, vindo de São Petersburgo, na Rússia, e 200 metros de comprimento, foi o primeiro de grande extensão a alcançar Porto Alegre desde as enchentes de 2024. Ele deve descarregar o material até esta quarta-feira e deixa o porto no mesmo dia. De acordo com o diretor de Operações da Portos RS, Bruno Gonçalves Almeida, em média, o porto de Porto Alegre, que movimenta especialmente fertilizantes e cevada, operava, antes das inundações, entre oito a dez navios de longo curso mensalmente.
“Tenho certeza de que a comunidade portuária estava ansiosa de poder trazer os navios para cá, porque o impacto logístico é menor. Várias indústrias que utilizam os terminais e operam em Porto Alegre estavam bastante afetadas, então acredito que a chegada dos insumos dê um alívio a elas”, comentou ele. Conforme Bruno, a capacidade de trazer navios à Capital gaúcha representa uma economia estimada de R$ 1 milhão por navio, em comparação com o descarregamento em outros portos, como em Santa Catarina, e principalmente o transporte pela via terrestre.
Já a navegação noturna, também recém liberada tecnicamente para operação na área portuária da Capital, terá de esperar um pouco mais, com previsão para os “próximos meses”. Pela primeira vez na história gaúcha, não apenas os navios menores, mas também os maiores, acima de 111 metros, poderão acessar o local.
Segundo Almeida, este processo está em um estágio chamado de ramp-up, ou escalada gradual. “Este investimento é importante, porque não impacta apenas os navios de longo curso, mas também os investimentos na navegação interior, porque, antigamente, somente embarcações menores podiam navegar no período noturno”, comentou o diretor, acrescentando que esta navegação permite um ganho de dois dias de viagem, influenciando em preços menores no frete.
Enquanto isso, foi concluída a dragagem de canais críticos como Itapuã, Pedras Brancas, Leitão e Furadinho. Já o canal da Feitoria segue em obras. Com a retomada do longo curso, a Portos RS poderá também avançar com outros projetos de restauração de armazéns, como o POA11, que está sem telhado e foi duramente danificado com as enchentes.
Ali, devem ser investidos R$ 5 milhões pela Unifertil, empresa vencedora da licitação, mas ainda não houve a assinatura com o Ministério de Portos e Aeroportos, que realizou o leilão da área em 2023. Almeida diz que, apesar da liberação ainda não estar totalmente concretizada, já que falta a navegação noturna, a sensação é de “dever cumprido”, ao priorizar a segurança técnica e evitar liberações precipitadas. “Tratamos o assunto com seriedade, com base técnica, principalmente na questão da dragagem”, salientou o diretor.