O primeiro navio após a retomada da navegação de longo curso, ou seja, que realiza transporte marítimo entre portos de diferentes países, depois das enchentes de 2024, alcançou Porto Alegre na manhã desta segunda-feira. O Equinox Eagle, com bandeira das Ilhas Cayman e carga de 11 mil toneladas de nitrato de potássio, chegou vindo de São Petersburgo, na Rússia, para abastecer a indústria local. O recebimento da embarcação, por volta das 10h30min, causou grande movimentação na área. O navio tem comprimento total de 200 metros e largura de 32 metros, de acordo com sites especializados em navegação marítima.
A deliberação abrangendo tanto a navegação de longo curso, quanto a liberação da navegação noturna foi assinada na metade de janeiro pelo governador Eduardo Leite, em ato no Palácio Piratini. Mesmo assim, de acordo com a Portos RS, cuja espera é de 42 anos, a circulação dos navios à noite ainda não tem prazo para ocorrer. A volta do longo curso foi conduzida de forma integrada entre a Autoridade Portuária, a Marinha do Brasil e a praticagem da Lagoa dos Patos.
“A retomada da navegação de longo curso e a liberação da navegação noturna são resultados de planejamento, investimento contínuo e compromisso com a segurança da navegação. Reestruturamos a hidrovia com dragagem, batimetria e um contrato de sinalização náutica continuado. Hoje, entregamos ao Estado uma hidrovia confiável, segura e preparada para sustentar o crescimento da atividade portuária”, comentou durante este ato o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.
A chegada do navio graneleiro Equinox Eagle marca a retomada da navegação de longo curso ao Porto de Porto Alegre
A necessidade da dragagem foi apontada por empresários do setor como uma das grandes dores da navegação interior gaúcha, após sucessivos encalhes de grandes navios, especialmente no final de 2024, frustrarem negócios com importantes indústrias da região Metropolitana.
Entidades representando os empresários, como a Federação das Indústrias do RS (Fiergs) e a Hidrovias RS, haviam chegado a pedir celeridade na realização da dragagem, especialmente nos canais do Furadinho, Pedras Brancas e da Feitoria, onde os encalhes haviam ocorrido, com impactos imediatos à economia caso não houvesse esta circulação.
O acúmulo de sedimentos a partir das enchentes em rios como Taquari, Sinos e Gravataí, fez a profundidade dos principais canais e o calado de 5,18 metros reduzir, prejudicando o trânsito de grandes navios na hidrovia por onde circulam, em média, seis milhões de toneladas de cargas por ano. Os investimentos feitos pela Portos RS para retomar a navegabilidade, com em recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), somam R$ 258 milhões.