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Aumento do rio Jacuí e vento Sul podem represar Guaíba e geram alerta na região das Ilhas

Elevação do Jacuí já atinge Ilha da Pintada, e previsão é de que vento do quadrante sustente o nível do Guaíba quando receber toda a água que está para descer

Pontos da extremidade do Jacuí já registram inundação, como na Ilha da Pintada, na rua Nossa Senhora da Boa Viagem
Pontos da extremidade do Jacuí já registram inundação, como na Ilha da Pintada, na rua Nossa Senhora da Boa Viagem Foto : Mauro Schaefer

A chuva que atinge diversos municípios do Rio Grande do Sul deve ter novos episódios até sexta-feira em parte do Norte gaúcho, nascente de bacias do Caí, Taquari e Jacuí - que voltou a subir nas últimas horas. Segundo a MetSul Meteorologia, a virada do vento para o quadrante Sul tem efeito de represamento para o Guaíba, e a previsão é desse vento retornar após a chuva cair na segunda-feira, sustentando o nível alto do corpo hídrico quando receber toda a água que está para chegar.

O rio que deve ter cheia de maior proporção é o Jacuí, em diferentes pontos ao longo da bacia, como Cachoeira do Sul, Vale do Rio Pardo, Região Carbonífera e o delta em Eldorado do Sul, onde desemboca no Guaíba, em Porto Alegre. A tendência, de acordo com a MetSul, é que o Jacuí tenha pico de vazão que avance em direção a Eldorado nos próximos dias.

ÁGUA COMEÇA INVADIR RUAS NA ILHA DA PINTADA | Foto: Mauro Schaefer

“A gente não sabe mais o que pode acontecer”

A situação é de alerta para a região das ilhas, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Pontos da extremidade do Jacuí já registram inundação, como na Ilha da Pintada, na rua Nossa Senhora da Boa Viagem. O pescador Bernardo Galzinski Costa, de 39 anos, morador da rua, relata que a água começou a subir pela manhã, e aumentou nas horas seguintes.

“A gente não sabe mais o que pode acontecer. Desde a enchente do ano passado, não temos mais previsão nenhuma, porque, do nada, já sobe e envereda”, conta. Ele teve a casa submersa no ano passado, e só conseguiu voltar mais de um mês depois.

O mesmo pensa o aposentado Luiz Alberto da Silva, de 62 anos. “Acho que todo o ano vai ser assim, não vai ser fácil”, diz. Ele relata que o nível baixo da rua, que foi cavada, é fator que sempre provoca alagamentos na região.

Questionada, a Defesa Civil de Porto Alegre informou que “está mobilizada e em ação preventiva diante das condições hidrológicas e meteorológicas previstas para os próximos dias, especialmente com a elevação gradual dos níveis do rio Jacuí e do lago Guaíba”.

"Entre as ações definidas, está a abertura de abrigos emergenciais para acolher preventivamente moradores de áreas de risco, com atenção especial às regiões ribeirinhas e das Ilhas”, acrescentou comunicado.
Já está em funcionamento um abrigo na KTO Arena, voltado a atender famílias do Humaitá e do Arquipélago. Um segundo ponto de acolhimento foi montado na Zona Sul, está preparado como retaguarda.

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