A chuva que atinge diversos municípios do Rio Grande do Sul deve ter novos episódios até sexta-feira em parte do Norte gaúcho, nascente de bacias do Caí, Taquari e Jacuí - que voltou a subir nas últimas horas. Segundo a MetSul Meteorologia, a virada do vento para o quadrante Sul tem efeito de represamento para o Guaíba, e a previsão é desse vento retornar após a chuva cair na segunda-feira, sustentando o nível alto do corpo hídrico quando receber toda a água que está para chegar.
O rio que deve ter cheia de maior proporção é o Jacuí, em diferentes pontos ao longo da bacia, como Cachoeira do Sul, Vale do Rio Pardo, Região Carbonífera e o delta em Eldorado do Sul, onde desemboca no Guaíba, em Porto Alegre. A tendência, de acordo com a MetSul, é que o Jacuí tenha pico de vazão que avance em direção a Eldorado nos próximos dias.
“A gente não sabe mais o que pode acontecer”
A situação é de alerta para a região das ilhas, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Pontos da extremidade do Jacuí já registram inundação, como na Ilha da Pintada, na rua Nossa Senhora da Boa Viagem. O pescador Bernardo Galzinski Costa, de 39 anos, morador da rua, relata que a água começou a subir pela manhã, e aumentou nas horas seguintes.
“A gente não sabe mais o que pode acontecer. Desde a enchente do ano passado, não temos mais previsão nenhuma, porque, do nada, já sobe e envereda”, conta. Ele teve a casa submersa no ano passado, e só conseguiu voltar mais de um mês depois.
O mesmo pensa o aposentado Luiz Alberto da Silva, de 62 anos. “Acho que todo o ano vai ser assim, não vai ser fácil”, diz. Ele relata que o nível baixo da rua, que foi cavada, é fator que sempre provoca alagamentos na região.
Questionada, a Defesa Civil de Porto Alegre informou que “está mobilizada e em ação preventiva diante das condições hidrológicas e meteorológicas previstas para os próximos dias, especialmente com a elevação gradual dos níveis do rio Jacuí e do lago Guaíba”.
"Entre as ações definidas, está a abertura de abrigos emergenciais para acolher preventivamente moradores de áreas de risco, com atenção especial às regiões ribeirinhas e das Ilhas”, acrescentou comunicado.
Já está em funcionamento um abrigo na KTO Arena, voltado a atender famílias do Humaitá e do Arquipélago. Um segundo ponto de acolhimento foi montado na Zona Sul, está preparado como retaguarda.
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