Passava das 22h quando o número de pessoas que acompanhava o trabalho dos Bombeiros enfim diminuiu. Aproximadamente 20 olhavam a escada mecânica se elevar novamente sobre o casarão incendiado na tarde desta quarta-feira, 5, no Centro Histórico de Porto Alegre. O trabalho de rescaldo está previsto para continuar madrugada adentro, ainda que o fogo tenha, enfim, cedido.
O caminhão com o equipamento era operado pela equipe do 5º Batalhão de Bombeiros Militares (5º BBM), de Caxias do Sul. O apoio foi necessário porque o veículo com escada do 1º BBM, com sede na Capital, está em manutenção.
Foram quatro horas de espera entre o pedido de apoio e o efetivo combate ao incêndio. A escada permitiu debelar focos nos escombros do prédio histórico, além de resfriar as paredes das edificações vizinhas.
“A estrutura do casarão está instável e placas de revestimento dos prédios vizinhos se desprenderam. Por oferecer risco, não podíamos entrar”, explicou o comandante do 1° BBM, tenente-coronel Deoclides Silva da Rosa.
Mesmo tendo que aguardar o deslocamento do caminhão da Serra até a Capital, Rosa afirmou que não houve prejuízo à atuação dos Bombeiros.
“Não houve (prejuízo), porque a gente teve a grande sorte de as redes (tubulações de água usadas no combate a incêndios) funcionarem… nós usamos as redes dos próprios prédios no combate.”
Atingidos, os edifícios Praça XV e Phênix apresentaram focos de incêndio recorrentes durante toda a tarde, causando apreensão nas pessoas que acompanhavam junto ao cordão de isolamento montado pela Brigada Militar, próximo ao Mercado Público. Do chão, foi possível ver labaredas nos andares mais altos de ambos os prédios.
Em determinado momento, as equipes precisaram quebrar janelas do penúltimo andar do Phênix. Painéis inteiros caíram de aproximadamente 40 metros, em cena carregada de drama. O som agudo do vidro se estilhaçando no asfalto assustou desavisados.
Por volta das 22h, já sem fogo, apenas luzes de lanternas eram visíveis naquele andar. Andar por andar foi inspecionado para assegurar que a situação estava sob controle.
Conforme o comandante do 1° BBM, a causa do incêndio será investigada pela Polícia Civil, após a realização do trabalho do Instituto-Geral de Perícias (IGP), o que deve ocorrer na manhã desta quinta-feira, 6. As guarnições permanecerão durante a noite na região para evitar o surgimento de novos focos. “Há muitos materiais inflamáveis nos prédios”, confirmou.
O fogo começou por volta das 14h45min, na parte superior de um bazar, e se alastrou rapidamente para outros três prédios – ao lado e aos fundos do imóvel. Do casarão histórico, datado do fim do século XIX, restou apenas a fachada.
O entorno da Praça XV, o Terminal Parobé e trechos do Largo Glênio Peres permanecem isolados.