Pela primeira vez ao longo de mais de 250 anos de história, a Câmara Municipal de Porto Alegre foi palco de uma simulação de incêndio, em que foi simulado um acidente com feridos e óbitos, a partir da queda de uma marquise no interior da sede do Legislativo. Dezenas de atores foram mobilizados, recebendo maquiagem, além de órgãos públicos foram acionados para o ato. O início foi com a evacuação de espaços a partir do próprio Plenário Otávio Rocha, seguido pela a reunião de pessoas em pontos de encontro e retirada de pessoas feridas e mortas de dentro do edifício. Vias próximas foram isoladas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Segundo a presidente da Câmara, vereadora Comandante Nádia, a intenção foi buscar uma parceria com o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) para a ação. “Sabemos que, em tragédias ou crises, as pessoas não sabem muito bem para onde ir, ou de que maneira ajudar, e, por vezes, permanecem nos locais, em pânico. Saber o que fazer nestes momentos é importante, e ter órgãos que trabalham com saúde e segurança pública é mais do que uma expertise, mas um grande legado que vamos deixar”, destacou ela. “Espero que isto sirva de exemplo para outros órgãos com grande aglomeração de pessoas”.
A dinâmica iniciou pouco depois das 9h, com uma simulação de sessão em que o próprio Sindihospa estava sendo homenageado. Com todos a postos, atores foram deitados no chão do Plenário para simular desmaios e uma densa fumaça falsa foi inserida no espaço. Após uma queda de luz e o acionamento do alarme, servidores e quem estava no local foi deslocado por saídas de emergência pela Guarda Municipal de Porto Alegre, sendo deslocadas para locais previamente estabelecidos. Logo na sequência, em minutos, surgiram ao menos três caminhões do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), com mangueiras a postos.
Simulação de grande incêndio na Câmara de Vereadores de Porto Alegre
Bombeiros correram para a entrada da Câmara, na avenida Loureiro da Silva, buscando controlar as chamas falsas e em busca de possíveis vítimas. Minutos mais tarde, simulando estar gravemente feridas, elas foram deslocadas para o exterior do edifício, em uma área próxima do estacionamento. Na sequência, diversas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estacionaram em frente ao Legislativo, como forma de apoio, com profissionais médicos e enfermeiros resgatando os feridos.
A Defesa Civil Municipal também prestou apoio, com instalação de gazebos móveis. Brigada Militar (BM), Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias (IGP) prestaram apoio na ocorrência e investigação dos óbitos. Conforme Comandante Nádia, o planejamento da simulação iniciou ainda no mês de fevereiro, e a Câmara conta atualmente com dez brigadistas de incêndio. “Isto não é apenas um treinamento. Teremos a capacitação de 50 funcionários junto ao CBMRS para serem brigadistas também, por meio de um convênio. Sabemos que salvar vidas não tem preço”, salientou ela.
O presidente do Sindihospa, Henri Siegert Chazan, destacou que a simulação buscou entender os pontos fortes e fracos do Legislativo no que tange à prevenção. “Temos, há muitos anos, este projeto de simulado onde tentamos simular a chegada de múltiplas vítimas nas emergências dos hospitais, recebendo uma pessoa de cada vez. Sabemos que um acidente de ônibus com 40 pessoas ao mesmo tempo tem um protocolo de atendimento diferente. Saímos de dentro dos hospitais para vir para dentro da sociedade. E a cidade é um ser vivo”, comentou ele.