A possibilidade do início da dragagem até o final desta semana no canal de Itapuã, onde os navios Mount Taranaki e EVA Shanghai continuam fundeados desde o final de outubro, é vista com certo ceticismo por profissionais relacionados ao setor hidroportuário, como a praticagem da Lagoa dos Patos. Nesta terça, o diretor de Infraestrutura da Portos RS, Lucas Cardoso, disse que até quinta a empresa pública deverá ter um posicionamento concreto sobre o dia de início dos trabalhos.
A dragagem emergencial é vista como condição fundamental para a remoção dos navios do canal, já que as chuvas, até o momento, frustraram os planos de retirada natural das embarcações. A remoção artificial dos sedimentos, assim, é considerada a melhor alternativa para reduzir a extensão do problema. O governo do Estado havia liberado R$ 731 milhões para remoção dos acúmulos dos materiais trazidos pelas enchentes, bem como a dragagem em si de mais de 320 quilômetros de vias interiores, além da batimetria e restauração de profundidades.
A principal preocupação dos profissionais é que já havia promessas anteriores de iniciar os trabalhos, mas isto não foi cumprido. Hoje, a falta da dragagem faz com que navios com calado igual ou superior a cinco metros não consigam circular por Itapuã, provocando efeitos em toda a navegação interior gaúcha. Somente os prejuízos com seis navios parados há mais de 15 dias são estimados em cerca de R$ 100 milhões, e diariamente, o valor aumenta.
“Somente de sobrestadia são mais de R$ 35 milhões, e somando o prejuízo das empresas que não estão podendo embarcar seus produtos. É uma conta difícil de mensurar. Outros navios terão que mudar o porto, porque Porto Alegre não tem condições de recebê-los”, afirma o diretor da Praticagem da Lagoa dos Patos, Geraldo Almeida. A sobrestadia, também conhecida como demurrage, é o valor a ser pago ao armador, no momento da partida, quando ocorre atraso no carregamento ou descarregamento do navio.